1 – Olá, amigas e amigos! Qualquer
bicho tenta defender-se dos perigos, tenta preservar da morte – o último e mais
grave dos perigos – a sua vida. Ora, o ser humano, em termos
biológico-instintivos, ou seja, em termos da necessária mãe Natureza, é como qualquer
outro bicho, seguindo o sulco da necessidade que ela lhe impõe. Mas, em termos
culturais, em razão da sua vida mental e sobretudo da liberdade, as coisas não
são assim tão simples.
É claro que, também a este nível
mental e cultural, o ser humano anseia por preservar a sua vida, por dar-lhe
mais qualidade, e até por vencer a morte se possível, ganhando uma vida boa e
sem fim. O sempre revigorado gosto de viver é que lhe alimenta a vida. Só que,
a este nível, há uma grande variedade de modos de preservar e aperfeiçoar a
vida. Veja-se como, além de haver uma cultura ocidental bem distinta de uma
oriental, cada ser humano deverá traçar e percorrer, em liberdade, o seu
próprio e inconfundível caminho. Acresce ainda que, por desenvolver a sua
subjectividade e não ser só objectividade, a Humanidade, com a sua cultura,
poderá vencer alguns constrangimentos impostos pela necessidade natural.
2 - Para a cultura ocidental, é
essencial o ser humano, além de tentar preservar a vida, promover o
desenvolvimento do seu eu mental, a sua individualidade e personalidade, e
ainda, para os crentes, aspirar à vida individual para além da morte. Porque,
quase simetricamente, e em alteridade, a mesma tradição tem afirmado a
existência de um Tu divino, um Deus pessoal que sirva de e seja mesmo o criador
e salvador do ser humano.
Para a cultura tradicional oriental,
porém (texto 138), as coisas são diversas. Porque, para ela, tentar preservar
ou manter-se nesta vida é fomentar novos nascimentos ou reincarnações, somando
assim muito mais tempo a penar neste mundo de aparências; ainda porque fomentar
o eu mental e a consequente individualidade, em vez de os ir esfumando, é
desligar-se cada vez mais do Uno e do Essencial.
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