segunda-feira, 30 de abril de 2012

62.5 - Leis da Natureza, Necessidade e Acaso


5 - Adiantemos agora algumas palavras tímidas sobre as leis da natureza, sobre a necessidade e sobre o acaso, que tudo isto parece estar presente no universo para seu governo ou desgoverno. Tímidas palavras, com efeito, pois que nada ou muito pouco sabemos sobre estas matérias.
Em vários passos da sua obra, Hans Kung releva a existência de ordem no universo, a constância de leis nele existente, sem as quais ele não poderia subsistir nem acontecer a evolução. Falemos então, por exemplo, da inflexível lei da gravidade, uma das grandes leis que parecem reger o nosso(?) macro universo, falemos e façamos perguntas. Será que, a respeito desta pedrinha que seguro no ar entre os meus dedos, eu posso garantir em termos absolutos que, se a abandonar, ela cairá em terra? Será que a garantia da lei é anterior e mais soberana que os factos a essa lei respeitantes? A lei não foi concebida pelo homem para interpretar os factos? Quer dizer, ao desprender dos meus dedos a pedrinha, eu só posso garantir que, com toda a probabilidade, atendendo a casos anteriores e em circunstâncias habituais, ela cairá! Os factos é que são sempre soberanos, e não a sua interpretação. O ser humano bem os quer interpretar, mas eles também bem lhe poderão fugir!
Mas as coisas tornam-se ainda mais giras quando, com a física quântica e com a biologia molecular, entramos no reino das coisinhas pequeninas do nosso(?) micro universo! Porque aí impera mesmo o acaso, ou, se quisermos, a necessidade do acaso. Aí, as leis da natureza – leis que nós continuamos a fazer, mas não para imperar mas tão só interpretar – são as leis da necessidade do acaso!
Postas então estas e muitas outras coisas sobre a constância das leis que regem o nosso(?) macro e micro universo, Kung entende que, em vez de cairmos no “sem sentido”, na solidão e no desespero, é bom cairmos na razoabilidade confiante da existência de um Deus. Também acho que sim, meu caro Hans, acho que é mesmo muito bom! Mas vivermos esta nossa vida terrena – embora mortal mas ainda assim podendo ser uma delícia -, vivermos solidários com tudo o que nasce e morre para de novo nascer neste universo sem fim, pode não ser assim tão mau, tão desesperante e solitário. E será que, para viver e morrer bem, é necessário “dominarmos” o imenso universo, cingirmo-lo com o cincho dos nossos insignificantes saberes, dos nossos minúsculos sentidos? Por que buscamos tão afanosamente esses inexperienciáveis sentidos: por necessidade intelectual, ou por carência de conforto e por apelo do coração? São esses sentidos implicando realidades não experienciáveis, mais pedidos pela razão, ou mais pela necessidade de afectos?

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