O pai da pátria está roído de saudades
do seu país, mas ainda mais do seu planeta azul, onde está a sua nação. Ainda
não passaram quatro dias inteiros – dos nossos, evidentemente -, e já está de
rastos! Pois que, mesmo vivendo no deserto africano no meio de tuaregues
guerrilheiros, ele se sentiria melhor do que neste inóspito planeta Marte. Mas
a sua companheira e a criança ainda estão pior!
A ele, na verdade, e em primeiro
lugar, já lhe está a fazer alguma falta o mando, já sente saudades da cadeira
do poder. Por sua vez, à criança falta-lhe quase tudo, e até chora muitas
vezes. Sente muitas saudades do seu gato, das bonecas e, mais que tudo, das
suas queridas amiguinhas, por quem chama muito alto. Quanto à companheira,
chorando mesmo às vezes sobre o ombro do companheiro, fazem-lhe muita falta as
flores do seu jardim, ir ao cabeleireiro, variar de vestidos e adereços e estar
com as amigas. Também se lembra de uma boa passeata pelas ruas da cidade a ver
as montras e de ir a uma casa de perfumes para comprar e pôr aquele que mais
fascina o companheiro.
Mas a ele, habituado a uma vida
intensa e variada, falta-lhe, além do mando e do poder, ainda muita coisa. São
os pratos favoritos comidos em casa com a família, uns saborosos petiscos
comidos furtivamente numa tasca com os amigos, as tertúlias culturais, as
reuniões com os seus colaboradores para tratarem de assuntos oficiais, as
lustrosas e mundanas visitas de estado feitas a muitos países do mundo.
E com tanta falta, o pai da pátria
dá em pensar que, lá na Terra, lá é que é bom viver! Por isso é que – pensa
ainda – os países não se podem infernizar uns aos outros, mas sim colaborarem
todos para defender e promover a vida, uma vida quanto possível boa para todos
os cidadãos do planeta. Pois, que sentido tem procurarmos a vida noutros
planetas se não a promovemos no nosso e, pelo contrário, até a matamos? Assim,
ele vê com nitidez que é necessária uma economia global sustentável para o
planeta e também uma economia que não dê lugar à especulação com o sangue das
nações. Também vê ser necessário e urgente um entendimento intercultural tão
vasto quantas as principais culturas do globo. Porque, com tantos
desentendimentos e desigualdades existentes, se espatifarmos a vida do planeta
onde ela tem tão boas condições para existir e se desenvolver, que autoridade temos
nós para levar essa semente para outros planetas, se ela vai morrer na Terra?
Assim é, de facto, meu caro
presidente! E quando todos os povos da Terra tiverem condições para viver e
apreciar devidamente a vida e forem solidários, então, a nossa ida para os
espaços será muito mais concertada e terá um bom significado e sentido: da
superabundância de vida boa que a todos possuirá aqui na Terra, levá-la-emos a
outros mundos onde possa desenvolver-se. Então, se assim acontecer, a vida toda
de muitos mundos entoará um estrondoso e magnífico hino de louvor à própria
vida – um estrondo tão magnífico como aquele que deu início ao Universo - a
qual vida estará especialmente presente em cada um dos seres conscientes desses
mundos todos, como já somos nós aqui na Terra.
Não se esqueça então de comunicar
rapidamente com os seus cientistas de serviço, no sentido de vos mandar buscar
quanto antes para o nosso querido planeta e, já agora, também para a Casa Branca.
No resto deste mandato e no próximo (?), com a colaboração de altos
responsáveis de outras nações, todos tendes aqui muito que fazer.
Sem comentários:
Enviar um comentário