quinta-feira, 11 de abril de 2013

146 - Papa Francisco


Olá, Papa Francisco!
Papa ou Papá ou Paizinho
ganha tudo sempre o mesmo carinhoso sentido,
e por isso,
Olá, Papá Francisco!
E quanto a este nome,
não podias ter escolhido melhor
porque é nome de paz e de pobreza.

Parece então que, neste caso e neste canto do universo,
- canto de um grãozinho só de areia nessa imensidão -
as coisas irão começar a mudar para melhor,
não sem estranharmos porque é que só agora
e só vindo lá do fim do mundo,
tenha alguém tido a lembrança de escolher para si
o nome desse querido e amado “Poverello” de Assis.

Bem andaste também em te chamares
só bispo ou patriarca de Roma
e não Sumo Pontífice universal
ou suma e única ponte entre o céu e a terra.
Será por tu também considerares
que aquele “Tu és Pedro e sobre esta pedra …”de Mateus, 16
lídimas palavras de Jesus não serão,
por ele ter tido coisas mais importantes para dizer?

Nunca aceites esse centralismo de poder
nem tão pouco a costumada e antiga pompa romana,
perante os quais os pobres e pequeninos, como nós,
até se sentem aniquilados:
faustosos rituais carros blindados palácios grandiosos
passadeiras vermelhas cúpulas e naves loucamente excessivas escândalos intrigas de dignitários e de sexo  e de dinheiro,
grandeza em tudo menos na virtude.
Por isso, nunca deixes de viver como se ainda
estivesses no teu apartamento, lá no fim do mundo,
duas assoalhadas e uma cozinha breve
para preparar o teu passadio.

Sabes o que é a Libor? E os filtros
para descobrir manipulações fraudulentas?
Não? Não importa! Terias de ler, muito atento,
o “Livro dos Batoteiros dos Mercados Financeiros”,
mas a tua Bíblia é outra.
Não obstante, pobre e simples como és e com palavras certeiras,
muito ajudarás a desbancar os descomandados mercados,
esses cães perigosos sem açaime nem trela.
E se isso vier a acontecer,
até os descrentes te chamarão Paizinho.
Porque o que mais crentes e não crentes em ti apreciamos
são esses gestos ressumbrantes de sentido,
é esse concreto amor à paz e à pobreza:
não à pobreza que é não ter o suficiente para viver,
mas à pobreza que nos limpa da cizânia da cobiça
e no íntimo nos faz limpos e senhores de nós mesmos e da Terra.
Um xoxo para ti, Papá Francisco,
como o que deste à tua Kirchner,
em troco de rezares por todos nós,
que entrámos em tempos de apocalipse.

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