1 - Olá! Sabem porque é que, em
termos linguísticos, o báculo dos
bispos e a imbecilidade estão
intimamente relacionados? Não que aos bispos se deva atribuir a imbecilidade,
por si mesmos ou pelo báculo que usam! É até precisamente o contrário.
Então, é assim. Na língua latina,
língua mãe da nossa língua, havia a palavra baculum,
que significava pau, da qual se
formou o diminutivo bacillum, que
queria dizer pauzinho (um bacilo é um micróbio com a forma de um
minúsculo pauzinho), de onde se originou o qualificador imbecillus ou imbecillis
que, por oposição a valens ou firmus (valente ou firme), tinha
o significado de fraco, sem força,
sem apoio, sem pau, tudo sentidos referidos tanto ao
corpo como à mente. Deste qualificador, ainda em latim, não tardou a formar-se
a palavra imbecillitas, naturalmente
com o significado de fraqueza (de corpo e ou mente), com base na qual o direito romano cunhou a expressão “imbecillitas sexus” (imbecilidade ou fraqueza de sexo), figura jurídica
pela qual, às senhoras, são diminuídos ou limitados os direitos, por comparação
com os homens, os quais portanto, em termos de sexo e na perspectiva do direito
romano, não costumam ser imbecis.
Agora, quanto ao báculo dos bispos, a sua força ou
firmeza advém-lhe de ele ser, em suas mãos, o símbolo da autoridade ou firmeza jurídica,
doutrinal e pastoral, em relação aos crentes que lhes são confiados. Crentes
que, portanto, ao contrário dos bispos, têm necessidade de ser confirmados na
fé … por serem débeis, por não serem firmes, por não serem “autó-nomos”. Porque
se fossem autónomos, sabiam
orientar-se pela sua própria lei.
2 – Num contexto económico e social
em que nenhum trabalho era mecanizado e portanto quase tudo na vida tinha de
ser feito a poder da força física, era natural que a sociedade concedesse maior
valia ao homem, e ela própria, a sociedade, fosse mesmo mais ou menos patriarcal.
Mas isso acontecia, principalmente, não em razão de o homem ser dotado de
maiores competências mentais, em comparação com a mulher, mas precisamente em
virtude da sua força física.
Mas isso era num passado cada vez
mais distante. Porque hoje, com o trabalho quase todo mecanizado - e muito
embora vivendo nós numa sociedade ainda com laivos de regime patriarcal, -, as
mulheres, já em completa igualdade jurídica com o homens, podem ocupar e ocupam
mesmo lugares de relevância nos mais variados sectores da vida nacional. As
meninas constituem a maioria e com melhores resultados nas escolas secundárias
e universidades; na vida política, nas empresas, na administração pública, no
ensino em todos os graus, nas magistraturas e em praticamente todas as outras
profissões, as mulheres desempenham o seu papel com igual ou até maior
competência e dedicação que os homens; elas ocupam mesmo lugares de topo, como
é o caso do Ministério Público, do Ministério da Justiça, da Assembleia da
República e até da Universidade Católica, se bem que, neste último caso, ainda tenha
sido necessário pedir a aprovação da Santa Sé.
3 – Assim se constata que as altas
cúpulas do poder religioso ainda não são acessíveis às senhoras.
Mas, se as religiões do Livro
tivessem sido implantadas, não em sociedades patriarcais mas em sociedades
matriarcais e continuassem a vigorar em sociedades ainda com alguns vestígios
de matriarcado, tais religiões não seriam bem diversas do que são hoje? Se isto
tivesse acontecido (porque seria possível), teria sido a Deusa Grande Mãe - não
por império da vontade e da palavra, mas de forma natural e silenciosa como é
própria de uma mãe -, a gerar todas as coisas e o primeiro par humano; teria
sido também ela a inspirar e a acompanhar os humanos ao longo de todo o Livro e
para além dele, talvez até com muito menos conflitos nessa longa história dos
povos, sempre numa perspectiva matriarcal. Assim, até a concepção trinitária da
Divindade seria diversa: primeiro dois nomes femininos, sendo que o terceiro
permaneceria, por já transcender os dois géneros existentes na humanidade.
E se, nesta hipótese de os humanos
terem vivido em sociedades matriarcais e ainda vivêssemos nelas embora já só com
laivos desse tipo, e agora estivéssemos em condições de ter à frente da
Universidade Católica um homem reitor e não uma senhora reitora como teria sido
a tradição até aqui, quem nos teria concedido, na Santa Sé, essa aprovação? Já
um religioso homem, ou ainda uma religiosa senhora? Talvez que, se fosse ainda senhora,
de todo não seria necessário procedermos à referida diligência!
Mas, fosse tudo de uma maneira ou doutra, nada
do que é essencial à religião mudaria.
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