quarta-feira, 21 de novembro de 2012

110 - Da Imbecilidade ou Fraqueza de Sexo


1 - Olá! Sabem porque é que, em termos linguísticos, o báculo dos bispos e a imbecilidade estão intimamente relacionados? Não que aos bispos se deva atribuir a imbecilidade, por si mesmos ou pelo báculo que usam! É até precisamente o contrário.
Então, é assim. Na língua latina, língua mãe da nossa língua, havia a palavra baculum, que significava pau, da qual se formou o diminutivo bacillum, que queria dizer pauzinho (um bacilo é um micróbio com a forma de um minúsculo pauzinho), de onde se originou o qualificador imbecillus ou imbecillis que, por oposição a valens ou firmus (valente ou firme), tinha o significado de fraco, sem força, sem apoio, sem pau, tudo sentidos referidos tanto ao corpo como à mente. Deste qualificador, ainda em latim, não tardou a formar-se a palavra imbecillitas, naturalmente com o significado de fraqueza (de corpo e ou mente), com base na qual o direito romano cunhou a expressão “imbecillitas sexus” (imbecilidade ou fraqueza de sexo), figura jurídica pela qual, às senhoras, são diminuídos ou limitados os direitos, por comparação com os homens, os quais portanto, em termos de sexo e na perspectiva do direito romano, não costumam ser imbecis.
Agora, quanto ao báculo dos bispos, a sua força ou firmeza advém-lhe de ele ser, em suas mãos, o símbolo da autoridade ou firmeza jurídica, doutrinal e pastoral, em relação aos crentes que lhes são confiados. Crentes que, portanto, ao contrário dos bispos, têm necessidade de ser confirmados na fé … por serem débeis, por não serem firmes, por não serem “autó-nomos”. Porque se fossem autónomos, sabiam orientar-se pela sua própria lei.

2 – Num contexto económico e social em que nenhum trabalho era mecanizado e portanto quase tudo na vida tinha de ser feito a poder da força física, era natural que a sociedade concedesse maior valia ao homem, e ela própria, a sociedade, fosse mesmo mais ou menos patriarcal. Mas isso acontecia, principalmente, não em razão de o homem ser dotado de maiores competências mentais, em comparação com a mulher, mas precisamente em virtude da sua força física.
Mas isso era num passado cada vez mais distante. Porque hoje, com o trabalho quase todo mecanizado - e muito embora vivendo nós numa sociedade ainda com laivos de regime patriarcal, -, as mulheres, já em completa igualdade jurídica com o homens, podem ocupar e ocupam mesmo lugares de relevância nos mais variados sectores da vida nacional. As meninas constituem a maioria e com melhores resultados nas escolas secundárias e universidades; na vida política, nas empresas, na administração pública, no ensino em todos os graus, nas magistraturas e em praticamente todas as outras profissões, as mulheres desempenham o seu papel com igual ou até maior competência e dedicação que os homens; elas ocupam mesmo lugares de topo, como é o caso do Ministério Público, do Ministério da Justiça, da Assembleia da República e até da Universidade Católica, se bem que, neste último caso, ainda tenha sido necessário pedir a aprovação da Santa Sé.

3 – Assim se constata que as altas cúpulas do poder religioso ainda não são acessíveis às senhoras.
Mas, se as religiões do Livro tivessem sido implantadas, não em sociedades patriarcais mas em sociedades matriarcais e continuassem a vigorar em sociedades ainda com alguns vestígios de matriarcado, tais religiões não seriam bem diversas do que são hoje? Se isto tivesse acontecido (porque seria possível), teria sido a Deusa Grande Mãe - não por império da vontade e da palavra, mas de forma natural e silenciosa como é própria de uma mãe -, a gerar todas as coisas e o primeiro par humano; teria sido também ela a inspirar e a acompanhar os humanos ao longo de todo o Livro e para além dele, talvez até com muito menos conflitos nessa longa história dos povos, sempre numa perspectiva matriarcal. Assim, até a concepção trinitária da Divindade seria diversa: primeiro dois nomes femininos, sendo que o terceiro permaneceria, por já transcender os dois géneros existentes na humanidade.
E se, nesta hipótese de os humanos terem vivido em sociedades matriarcais e ainda vivêssemos nelas embora já só com laivos desse tipo, e agora estivéssemos em condições de ter à frente da Universidade Católica um homem reitor e não uma senhora reitora como teria sido a tradição até aqui, quem nos teria concedido, na Santa Sé, essa aprovação? Já um religioso homem, ou ainda uma religiosa senhora? Talvez que, se fosse ainda senhora, de todo não seria necessário procedermos à referida diligência!
 Mas, fosse tudo de uma maneira ou doutra, nada do que é essencial à religião mudaria.

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