sexta-feira, 20 de julho de 2012

77 - Salvemos a Terra e a Vida


1 - Olá! Neste pequeno país onde vivemos, ainda não há educação ambiental e cívica que baste.
Quem quer que viaje ou simplesmente caminhe por essas estradas regionais, se for atento, amiúde encontrará pelas bermas e pelos campos uma notável e triste variedade e quantidade de lixos. Ele são latas e garrafas e plásticos e papéis; são velhos electrodomésticos e sofás e indevidos aterros; são mesmo velhos e longos postes de cimento da REN, dormindo deitados o seu sono de abandono no meio da floresta.
Por outro lado, pelas ruas da cidade e pelos acessos a praias vizinhas, é ainda preciso baixar assiduamente os olhos para o chão e fazer gincana para não esbarrar na imundície canina, flagelo com que alguns cidadãos canideotenentes presenteiam todos os outros. Qualquer dia, os cidadãos não possuidores de bichos desses, cães de guarda ou companhia, serão considerados cidadãos só de segunda.
Mas as coisas já foram piores. Muito de bom já se fez nestas matérias, quer com as já três edições da iniciativa “Vamos limpar Portugal”, quer também com alguma educação social nas escolas, ou ainda com uma certa sensibilização dos adultos para estes problemas.

2 – Olhando agora mais ao largo e a nível global, não podemos deixar de atender à recente “Conferência Rio+20” sobre o desenvolvimento sustentável, promovida pela ONU. Tal conferência, acontecida no Rio de Janeiro em finais de Junho pp, terminou com uma “Declaração Final” a que se deu o título “O Futuro que Queremos”.
Em discurso, durante a Conferência, o secretário-geral da ONU afirmou: “O recurso mais escasso de todos é o tempo e não podemos mais dar-nos ao luxo de adiar decisões”. E então concluiu: “a hora de agir é agora, porque não queremos ter no futuro uma “Rio+40 ou uma Rio+60”.
Só que aquela Declaração Final foi mal recebida por muita gente, não só pelos seus vagos propósitos como pelo seu teor minimalista. Em carta entregue ao secretário-geral, as presentes “Organizações não Governamentais” escreveram que “O futuro que queremos tem compromisso e acção, não é só promessas, e o documento final da conferência é fraco e muito aquém do espírito e dos avanços conquistados nos últimos 20 anos”. Por seu lado, também referindo-se à mesma Declaração Final, a ex-primeira –ministra da Noruega, “mãe do conceito de desenvolvimento sustentável”, afirmou que “o documento não faz o suficiente para levar a humanidade para o padrão de sustentabilidade, décadas depois de ter sido acordado que isso é essencial tanto para as pessoas como para o planeta”. E mais adiante, ela própria constatou e compreendeu “a frustração de muita gente no final da Conferência”.
Lembrem-se ainda as palavras da senadora brasileira Marina Silva, também a propósito do referido documento final: (nele) “há um compromisso com a crise económica, mas não há compromisso nenhum com o grave problema ambiental, que ameaça o futuro do planeta e a vida das próximas gerações”. Entre as mais de cem representações nacionais ao mais alto nível, Obama, Merkel e Cameron primaram pela sua ausência (Expresso, 23-6-12).
        
3 – Ao abordarmos esta temática, também não podemos deixar de ouvir a mensagem do cosmólogo Marcelo Gleiser, em seu livro Criação Imperfeita. Mais até que simples mensagem é ela, pois que é um verdadeiro grito, grito de urgência a convocar toda a Humanidade para salvar o seu planeta e a vida nele existente.
Neste Universo a ela indiferente e até hostil, por ser rara e frágil, por ser também o resultado de uma série de acidentes de percurso evolutivo, a vida é uma autêntica preciosidade, a maior de todas. Se nós não cuidarmos dela, tudo indica que o indiferente e hostil Universo não cuidará de todo.
Provavelmente sozinhos no Universo, sendo por isso especiais e únicos, nós, seres humanos, temos a imperiosa e urgente obrigação cósmica de salvarmos a vida, pois nada de mais raro e precioso existe no Universo. Para já, urgentemente, salvarmos a vida neste planeta. Depois, quem sabe, lá muito para diante no tempo, outros humanos, humanos vindouros, encarregar-se-ão de a espalhar nessa vastidão cósmica. Vida também complexa e consciente, naturalmente, como aquela de que nós desfrutamos e nos possui.
Portanto, consciência da vida e do cosmos, nós temos hoje o imperioso e inadiável dever de salvarmos a vida e a Terra, nosso planeta e nossa casa comum.

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