1 – Olá! As comunidades humanas precisam
de desenvolver-se economica, social e espiritualmente. Aos três níveis
referidos, elas têm de se prover e de ser providas de meios suficientes, para
que o desenvolvimento integrado possa acontecer. Nomeadamente, elas precisam de
meios materiais para que possam sobreviver e também levar uma vida digna.
Em termos gerais, haver produtos
alimentares e haver dinheiro para os produzir ou comprar, e bem assim o mesmo
em relação às restantes coisas necessárias à vida, isso são bens económicos;
haver infra-estruturas numa aldeia, juntamente com outras condições para que os
seus habitantes aí possam continuar a viver são bens sociais; poder satisfazer a
necessidade de comprar um livro, bem como ir a um concerto ou ver um filme são
bens espirituais.
2 – Por isso, desenvolvimento
económico não é o mesmo que desenvolvimento humano. Os três níveis de
desenvolvimento citados têm de desenvolver-se equilibradamente.
Concertam-se a ciência e a técnica
em ordem à produção de mais bens materiais, por imperativo do necessário
desenvolvimento. Mas, que bens? Bens necessários, ou bens completamente supérfluos,
com os quais, por sua vez, se vão criando outras fictícias necessidades? Porque
a questão está em saber o que move aí a ciência e sobretudo a técnica: se é o
amor à Humanidade ou o amor ao dinheiro!
Salvo algumas excepções, o móbil
deste jogo é antes de mais o dinheiro, para depois criar mais produção e
consumo e dinheiro, e assim por diante, sem fim, sempre com a mira do lucro. E
então, como para produzir mais e mais barato é preciso meter maquinarias, lá vai
ficar muita gente desempregada. Porque, na espiral deste processo, o que
interessa é fazer dinheiro. A cada passo a publicidade agride de tal forma as
pessoas que se torna quase irrecusável o convite que lhes faz para possuírem o
topo de gama em todo o género de inventos. E assim se criam enormes assimetrias
entre os povos: enquanto uns lêem as últimas notícias no seu iPad, metade da
população mundial nem sabe ler.
3 – Sem menosprezar o desenvolvimento
económico, que afinal é a base de todo o desenvolvimento humano, não pode
subestimar-se o desenvolvimento social e sobretudo espiritual, até porque estes
dois últimos poderão dar alma ao primeiro, pois que é preciso que a economia
sirva os humanos e não estes aquela. Etimologicamente,
a palavra “economia” significa “administração de uma casa”, e por isso, no
nosso caso, economia é a administração da nossa casa nacional, ou europeia se
quisermos, ou até mundial. O que significa que a economia é para os cidadãos e
sua casa, e não estes para essa adulterada economia.
É preciso portanto que o sangue da economia,
que é o dinheiro, circule por todo o corpo social (ver texto 73). E depois, uma
vez satisfeitas, para todos, as básicas necessidades, até é bom, por vezes, tal
como acontece com as pessoas, também a sociedade despir-se de aderências supérfluas,
assim todos nos reconduzindo àquilo que nos é essencial, como seres humanos.
Quando temos menos, embora sempre o suficiente, até somos mais livres. O
desenvolvimento espiritual e interior é tão necessário como o desenvolvimento
da economia, que é o desenvolvimento exterior.
A Natureza e o Universo avançam por
desequilíbrios de forças, criando novos equilíbrios, mas os seres humanos, que
se presumem ser os mais inteligentes do Universo, regridem cavando mais fundo
os desequilíbrios entre si: quanto mais ricos são os ricos, mais pobres são os
pobres. Ou quererá a Humanidade que o equilíbrio vá ser substituído por uma
catástrofe que, no mais terrível cenário, arrase a própria Humanidade?
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