quarta-feira, 11 de julho de 2012

75 - Sobre o Desenvolvimento Humano



1 – Olá! As comunidades humanas precisam de desenvolver-se economica, social e espiritualmente. Aos três níveis referidos, elas têm de se prover e de ser providas de meios suficientes, para que o desenvolvimento integrado possa acontecer. Nomeadamente, elas precisam de meios materiais para que possam sobreviver e também levar uma vida digna.
Em termos gerais, haver produtos alimentares e haver dinheiro para os produzir ou comprar, e bem assim o mesmo em relação às restantes coisas necessárias à vida, isso são bens económicos; haver infra-estruturas numa aldeia, juntamente com outras condições para que os seus habitantes aí possam continuar a viver são bens sociais; poder satisfazer a necessidade de comprar um livro, bem como ir a um concerto ou ver um filme são bens espirituais.

2 – Por isso, desenvolvimento económico não é o mesmo que desenvolvimento humano. Os três níveis de desenvolvimento citados têm de desenvolver-se equilibradamente.
Concertam-se a ciência e a técnica em ordem à produção de mais bens materiais, por imperativo do necessário desenvolvimento. Mas, que bens? Bens necessários, ou bens completamente supérfluos, com os quais, por sua vez, se vão criando outras fictícias necessidades? Porque a questão está em saber o que move aí a ciência e sobretudo a técnica: se é o amor à Humanidade ou o amor ao dinheiro!
Salvo algumas excepções, o móbil deste jogo é antes de mais o dinheiro, para depois criar mais produção e consumo e dinheiro, e assim por diante, sem fim, sempre com a mira do lucro. E então, como para produzir mais e mais barato é preciso meter maquinarias, lá vai ficar muita gente desempregada. Porque, na espiral deste processo, o que interessa é fazer dinheiro. A cada passo a publicidade agride de tal forma as pessoas que se torna quase irrecusável o convite que lhes faz para possuírem o topo de gama em todo o género de inventos. E assim se criam enormes assimetrias entre os povos: enquanto uns lêem as últimas notícias no seu iPad, metade da população mundial nem sabe ler.

3 – Sem menosprezar o desenvolvimento económico, que afinal é a base de todo o desenvolvimento humano, não pode subestimar-se o desenvolvimento social e sobretudo espiritual, até porque estes dois últimos poderão dar alma ao primeiro, pois que é preciso que a economia sirva os humanos e não estes aquela.          Etimologicamente, a palavra “economia” significa “administração de uma casa”, e por isso, no nosso caso, economia é a administração da nossa casa nacional, ou europeia se quisermos, ou até mundial. O que significa que a economia é para os cidadãos e sua casa, e não estes para essa adulterada economia.
 É preciso portanto que o sangue da economia, que é o dinheiro, circule por todo o corpo social (ver texto 73). E depois, uma vez satisfeitas, para todos, as básicas necessidades, até é bom, por vezes, tal como acontece com as pessoas, também a sociedade despir-se de aderências supérfluas, assim todos nos reconduzindo àquilo que nos é essencial, como seres humanos. Quando temos menos, embora sempre o suficiente, até somos mais livres. O desenvolvimento espiritual e interior é tão necessário como o desenvolvimento da economia, que é o desenvolvimento exterior.
A Natureza e o Universo avançam por desequilíbrios de forças, criando novos equilíbrios, mas os seres humanos, que se presumem ser os mais inteligentes do Universo, regridem cavando mais fundo os desequilíbrios entre si: quanto mais ricos são os ricos, mais pobres são os pobres. Ou quererá a Humanidade que o equilíbrio vá ser substituído por uma catástrofe que, no mais terrível cenário, arrase a própria Humanidade?

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