1 – Olá! Não se pode falar de
dinheiro, sem também se falar de sangue. Aos nossos hospitais acorre, quando
solicitada, gente generosa em dádivas de sangue. Há mesmo bancos de sangue,
sempre abertos ao público para receberem essas ofertas. São sempre dádivas,
sempre são o fruto da generosidade das pessoas. O sangue é o alimento da vida
humana e, em transes de aflição, ele é mesmo a salvação da vida de muita gente.
Porque é que não se pode negociar com o sangue? Não pode, porque também não se
pode negociar com a vida!
2 – Por seu lado, o dinheiro é a
tradução monetária do trabalho e de outros bens das pessoas de uma nação, de
uma comunidade de nações, das nações de todo o mundo. O dinheiro, sobretudo hoje,
nesta (des)ordem económica em que vivemos, é imprescindível para que haja vida
humana: ele é o outro sangue das pessoas, ele é o sangue das nações. E então,
tal como não se negoceia com o sangue para salvar o corpo e a vida das pessoas,
também com o dinheiro-sangue-das-nações não se pode negociar, pelo menos com
usura ou especulação. Estas, o povo, que é a fonte do poder, não pode
consentir.
3 – Se o dinheiro é o sangue das
nações, quem deve superintender nesse bem, de modo a que chegue suficientemente
à vida de todos os cidadãos e à economia da nação? Que poder? O poder político
ou o poder financeiro? Com certeza que só pode ser o poder político
democrático, pois só este é do povo e depende do povo. O povo não pode
controlar as cúpulas do chamado poder financeiro, mas, de alguma forma, por
eleição democrática, pode controlar o político. Compete ao poder político
governar as nações, e portanto, entre o mais, defender e promover e distribuir,
por todos os cidadãos e de forma socialmente justa, esse sangue das nações.
Assim haja políticos determinados, de mãos limpas e com
vocação para promover o bem comum.
4 – Destes princípios decorre que,
de todos os bancos de dinheiro que existam numa nação ou comunidade de nações,
e também a nível global e em todas as nações, se deve dizer que eles são, de
alguma forma, bancos do povo. Tal como um banco de sangue é do povo porque só
existe e serve para salvar as vidas em risco, assim também, de algum modo, os
bancos de dinheiro existem e servem para guardar e rentabilizar o dinheiro das
pessoas mas também para promover a economia da nação, que é de todos, não
tivessem sempre os bens materiais particulares, e concretamente o dinheiro, uma
função social.
Decorre também que os crimes
económicos e financeiros assumem, neste contexto, uma especial gravidade, pelo
que devem ser severamente punidos.
Decorre ainda que, dada a
complexidade de todo este assunto, os políticos eleitos terão de se socorrer de
técnicos imparciais especializados para se encontrarem boas formas de se porem em
prática os princípios referidos, salvaguardando sempre a livre iniciativa, a
justa remuneração do trabalho e a justiça social. Se esta existir, evitar-se-ão
mais facilmente os desmandos dos mercados e do individualismo liberal.
É enfim, o dinheiro, uma coisa muito
séria: por isso, contrariando muitas vezes tentações advindas da publicidade,
ele deve ser sempre aplicado ou investido em alimento, em produtos de vida para
o corpo e para o espírito dos cidadãos, na economia da nação, tendo em atenção que,
ou nos salvamos todos, ou todos nos submergimos no nada.
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