1 - Olá! Indo o ser humano ao
encontro das coisas – coisas tomadas por seres não vivos e também vivos, mas
sem aqui falarmos de companheiros humanos -, ou vindo também elas ter com ele,
acontece a recíproca aparição dos seres. Vai o ser humano ao encontro das
coisas, para quê? Vai porque gosta e porque precisa de se entender com elas, à
mesa comum da existência e da vida. Situado no mundo, é vital e urgente para
ele estabelecer comércio com a sua envolvência.
Aquela recíproca aparição das coisas
ao ser humano e deste às coisas é um concerto longo, que pode mesmo não ter
fim, ou melhor, um concerto que pode durar toda a vida das duas partes, pelo
menos enquanto as duas existirem.
Por parte do ser humano, este festim
começa com o dar nome às coisas. E com dar-lhes nome, ele configura-as logo com
determinadas qualidades, e depois, lentamente, pelo andar da carruagem da
existência em que ambos estão embarcados, ele vai aprofundando o seu
relacionamento com elas, assim as conhecendo cada vez melhor. E conhecer (co-nh-ecer) – notemos bem – significa nascer ou ir nascendo com algo ou alguém.
Temos capacidade de conhecer as
coisas do mundo em que vivemos, para depois podermos dizer que, em relação a
nós ou a cada um, umas coisas são boas; outras, más; e as restantes,
simplesmente indiferentes. E a seguir, agirmos em conformidade com esses
valores. Mas depois de conhecermos e valorarmos as coisas, outras camadas de subjectividade
e simbolismo vamos acrescentando às coisas, num processo sem fim e também nunca
definitivo, porque sempre reformulável.
2 - Assente está então que, quando
as coisas estão sozinhas, elas não têm ideias consigo; elas são só coisas. Mas
quando o ser humano está com elas e as olha, ele associa ideias suas às coisas.
Isto, genericamente, claro, porque ainda há os casos particulares do poeta e
também o de alguns filósofos. Pois que, quanto ao poeta, ele anima e
transfigura as coisas já atrás figuradas, mergulhando nelas as suas ideias e ele
mesmo também, numa simbiose perfeita. Enquanto que, no caso de alguns
filósofos, ao contrário, eles parecem dividir miseravelmente o mundo em dois. Dividem-no ,
e depois distanciam-se e desconsideram de tal forma as coisas, que chegam a
fazer das suas ideias sobre as coisas, as verdadeiras realidades, e a fazer das
coisas, meras sombras dessas ideias. Dois mundos separados, portanto, sendo o
prevalecente, para eles, o mundo do humano devaneio!
Quando afinal, o que há, o que há de
único e irrepetível no universo é cada um de nós – coisa entre as coisas do
mundo, sim, mas também espírito com as suas próprias ideias – cada um com as
suas ideias a vestir de nome e valor as também reais “coisas-coisas” do mundo.
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