1 – Olá! Conheço três amigos que, em relação a laranjas, têm as opiniões mais diversas. O Bruno gosta tanto de laranjas que, para ele, as laranjas são a melhor fruta do mundo. A melhor fruta, isto é: a melhor, salvo a sua própria namorada, a Rita. Porque, para ele, no que toca a fruta, a Rita é mesmo o máximo!
Quanto à Rita, ela comeu várias vezes laranjas quando criança, mas, sempre que as comia, apanhava sempre uma grande dor de barriga. Resultado: ela deixou de as comer e, para ela, a laranja é uma fruta má.
Por seu lado, o Diogo, embora muito amigo dos dois, tem, a respeito de laranjas, uma outra opinião diferente. Desde pequeno, nunca apreciou laranjas, e agora é-lhes de tal maneira indiferente que nunca as come.
Então, em si mesma, a laranja é uma coisa boa, má ou indiferente? Isto é: haverá metafísica nas coisas, ou elas nada mais são que coisas?
2 - Na verdade, serem boas as coisas, ou más ou indiferentes, isso não é próprio delas, nós é que lho acrescentamos e atribuímos. Como também lhes juntamos muitos sentidos metafórico-simbólicos, Um trovão, por exemplo, é só um trovão, e não Deus a ralhar.
Para além de coisas, portanto, tudo nelas é subjectividade nossa. O bem, o mal, o indiferente, como também a bondade, a maldade e a indiferença, tudo isso não existe propriamente nas coisas. Nós é que o criamos e lho aplicamos. Como também criamos a metafísica, que é a ciência que trata dos entes, enquanto tais.
Por isso é que, quando eu digo que as amendoeiras em flor são simplesmente coisas, (mas considerando que as ideias de ser, de belo e de bom incarnam ou se aplicam nas cerejeiras em flor), eu também não posso deixar de dizer que elas são seres belos e bons para mim. Para mim, realmente, elas são também seres belos e bons. Mas tudo isto, que se prende com a metafísica, a estética e mais subjectividades, sou eu que lhes acrescento e aplico.
Com as ideias de bem, de mal e de indiferente incarnadas em concretas realidades, e bem assim com todo o demais mundo simbólico que foram produzindo, bem se pode dizer que os seres humanos criaram grande parte do mundo em que vivem. Coisa bela é esta, mas também tremenda, pois que o criaram para sua graça, mas também desgraça. Tremenda porque as ideias e as suas consequências práticas no mundo, se muitas vezes são ou foram boas ou até muito boas, também são ou foram pérfidas ou assustadoramente pérfidas.
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