39 - Carta para a amiguinha Joana:
- A importância do nome;
- Os três tipos de escolas: as escolas habituais, a família e a sociedade; a escola da nossa cabecinha, tantas vezes tão pouco frequentada;
- A importância da nossa cabecinha: estarmos atentos à vida e sermos trabalhadores, responsáveis e exigentes;
- Carta para a Joana, mas também para mim e para toda a gente.
Ou o fascínio pela vida, pela vida breve que nos possui neste planeta azul!
domingo, 30 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
39 - Carta à Amiguinha Joana
Carta para a Joana, ao cuidado da mãe Luísa:
Querida amiguinha Joana, escrevo e envio-te esta carta ao cuidado dos teus pais, porque penso ser a melhor maneira de ela te chegar. E como ela te irá chegar às mãos no dia dos teus anos, facilmente adivinharás que é por essa razão que te escrevo.
Com a imposição do nome “Joana”, por escolha dos teus pais, tu fizeste há sete anos a tua primordial aparição no mundo, onde te apresentaste para viver ao lado e com os outros seres já existentes no mundo. Nós costumamos dar nome aos seres para os reconhecermos como existentes no nosso mundo. Antes, não existias; depois, saíste do nada e nasceste, mas foi com o nome que apareceste ao mundo. “Estão a ver aqui? Esta é a Joana, que acaba de nascer. É bonita, não é”? Apareceste primeiro à tua família e padrinhos; aos amigos só da tua família depois, porque tu ainda não tinhas os teus amigos; também, num círculo mais alargado, foste aparecendo às pessoas conhecidas e que conheciam a tua família, e bem assim às amiguinhas e amiguinhos que foste fazendo desde bebé; e enfim a toda a sociedade. É claro que também apareceste aos dois cãezitos muito peludos e sobretudo ao papagaio que já existiam na casa dos teus avós, e ainda às árvores que a gente vê por aí e a todos os outros seres que há na Terra, mas de todos esses não falaremos agora em virtude de serem muitos e até alguns deles, como as lagartixas e as cobras, te meterem muito medo! Joana é, portanto, e desde que nasceste, o teu nome.
Cumpres assim hoje – dia 28 de Outubro de 2011 – os teus sete anitos de vida. E então, o papagaio já te deu os parabéns? Sim? Disse-te palavras bonitas? Ou fez-te só uma negaça com o bico e a cabeça e não te disse nada? Pois, tu nunca lhe dás alpista nem lhe limpas a gaiola nem o levas a banho!
O maroto do papagaio não te disse nada … mas tu lembras-te muito bem daquilo que dissemos numa luminosa manhã, os dois passeando no quintal da minha casa, de mãos dadas e entre as árvores, a tua “avó nova” Maria tratando do almoço na cozinha. Falavas tu então dos teus colegas e amiguinhos de escola, e eu, ouvindo, falava-te também da escola, ou melhor, dizia-te que há três tipos de escolas, diferentes mas complementares, que nós vamos frequentando e onde aprendemos para a vida.
No primeiro tipo de escolas, que é o daquela em que andas agora e o de outras mais exigentes em que hás-de andar depois, tu aprendes a ler e a contar e terás muitas outras disciplinas. O segundo tipo de escolas, que hás-de frequentar toda a vida, é a família e a sociedade em que vives e onde vais trabalhar e viver, sempre aprendendo mais coisas. O terceiro tipo de escola que também deverás frequentar toda a vida - de todas as escolas a mais importante e talvez a menos frequentada - é uma escola tão pequenina tão pequenina … que afinal só lá cabe a tua cabecita porque ela própria se reduz à tua cabecita, com a qual tu pensas e vais elaborando a tua pessoal opinião sobre o mundo e a vida! Pela nossa cabeça nos devemos guiar, mas para isso temos de a ir formando com bons mestres, e o mestre mais importante virá sempre a ser cada um para si próprio.
Vês, Joana, o papagaio não te ligou, não te deu os parabéns, mas agora também não tem uma carta como tu estás a ter! “Uf, mas uma carta tão grande, tio João, e ainda por cima não a percebo muito bem”! Mas ouve, Joana, tu podes pedir explicação aos teus professores e aos teus pais, a outros familiares e também a mim, daquilo que ainda não percebes; e depois, nota bem, ela é para a ires lendo e percebendo toda, sim, mas só ao longo de toda a tua vida! E se, agora com sete, tu chegares aos teus setenta ou muito mais anos saudáveis com ela toda lida e percebida e bem cumprida, ela deixará de ser comprida para ser só cumprida!
Desde pequenitos, comandados pela nossa cabecita, nós devemos andar atentos à vida, sermos responsáveis, trabalhadores e também exigentes: exigentes primeiro connosco mesmos, mas depois também com os outros. Sobretudo, e em suma, não podemos ser imbecis, mas sim e sempre autónomos. Por isto é que esta carta, que foi escrita para ti mas também para mim, podia ter sido escrita para toda a gente.
A toda a gente podes mostrar esta carta: a toda a tua família, aos teus professores e colegas de escola e a outros teus amigos e conhecidos, para todos a lerem e explicarem uns aos outros. E agora vais festejar os teus anos, isto é, lanchar e brincar com os teus amiguinhos. Com um beijo grande de parabéns, do teu amigo tio João.
Querida amiguinha Joana, escrevo e envio-te esta carta ao cuidado dos teus pais, porque penso ser a melhor maneira de ela te chegar. E como ela te irá chegar às mãos no dia dos teus anos, facilmente adivinharás que é por essa razão que te escrevo.
Com a imposição do nome “Joana”, por escolha dos teus pais, tu fizeste há sete anos a tua primordial aparição no mundo, onde te apresentaste para viver ao lado e com os outros seres já existentes no mundo. Nós costumamos dar nome aos seres para os reconhecermos como existentes no nosso mundo. Antes, não existias; depois, saíste do nada e nasceste, mas foi com o nome que apareceste ao mundo. “Estão a ver aqui? Esta é a Joana, que acaba de nascer. É bonita, não é”? Apareceste primeiro à tua família e padrinhos; aos amigos só da tua família depois, porque tu ainda não tinhas os teus amigos; também, num círculo mais alargado, foste aparecendo às pessoas conhecidas e que conheciam a tua família, e bem assim às amiguinhas e amiguinhos que foste fazendo desde bebé; e enfim a toda a sociedade. É claro que também apareceste aos dois cãezitos muito peludos e sobretudo ao papagaio que já existiam na casa dos teus avós, e ainda às árvores que a gente vê por aí e a todos os outros seres que há na Terra, mas de todos esses não falaremos agora em virtude de serem muitos e até alguns deles, como as lagartixas e as cobras, te meterem muito medo! Joana é, portanto, e desde que nasceste, o teu nome.
Cumpres assim hoje – dia 28 de Outubro de 2011 – os teus sete anitos de vida. E então, o papagaio já te deu os parabéns? Sim? Disse-te palavras bonitas? Ou fez-te só uma negaça com o bico e a cabeça e não te disse nada? Pois, tu nunca lhe dás alpista nem lhe limpas a gaiola nem o levas a banho!
O maroto do papagaio não te disse nada … mas tu lembras-te muito bem daquilo que dissemos numa luminosa manhã, os dois passeando no quintal da minha casa, de mãos dadas e entre as árvores, a tua “avó nova” Maria tratando do almoço na cozinha. Falavas tu então dos teus colegas e amiguinhos de escola, e eu, ouvindo, falava-te também da escola, ou melhor, dizia-te que há três tipos de escolas, diferentes mas complementares, que nós vamos frequentando e onde aprendemos para a vida.
No primeiro tipo de escolas, que é o daquela em que andas agora e o de outras mais exigentes em que hás-de andar depois, tu aprendes a ler e a contar e terás muitas outras disciplinas. O segundo tipo de escolas, que hás-de frequentar toda a vida, é a família e a sociedade em que vives e onde vais trabalhar e viver, sempre aprendendo mais coisas. O terceiro tipo de escola que também deverás frequentar toda a vida - de todas as escolas a mais importante e talvez a menos frequentada - é uma escola tão pequenina tão pequenina … que afinal só lá cabe a tua cabecita porque ela própria se reduz à tua cabecita, com a qual tu pensas e vais elaborando a tua pessoal opinião sobre o mundo e a vida! Pela nossa cabeça nos devemos guiar, mas para isso temos de a ir formando com bons mestres, e o mestre mais importante virá sempre a ser cada um para si próprio.
Vês, Joana, o papagaio não te ligou, não te deu os parabéns, mas agora também não tem uma carta como tu estás a ter! “Uf, mas uma carta tão grande, tio João, e ainda por cima não a percebo muito bem”! Mas ouve, Joana, tu podes pedir explicação aos teus professores e aos teus pais, a outros familiares e também a mim, daquilo que ainda não percebes; e depois, nota bem, ela é para a ires lendo e percebendo toda, sim, mas só ao longo de toda a tua vida! E se, agora com sete, tu chegares aos teus setenta ou muito mais anos saudáveis com ela toda lida e percebida e bem cumprida, ela deixará de ser comprida para ser só cumprida!
Desde pequenitos, comandados pela nossa cabecita, nós devemos andar atentos à vida, sermos responsáveis, trabalhadores e também exigentes: exigentes primeiro connosco mesmos, mas depois também com os outros. Sobretudo, e em suma, não podemos ser imbecis, mas sim e sempre autónomos. Por isto é que esta carta, que foi escrita para ti mas também para mim, podia ter sido escrita para toda a gente.
A toda a gente podes mostrar esta carta: a toda a tua família, aos teus professores e colegas de escola e a outros teus amigos e conhecidos, para todos a lerem e explicarem uns aos outros. E agora vais festejar os teus anos, isto é, lanchar e brincar com os teus amiguinhos. Com um beijo grande de parabéns, do teu amigo tio João.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Pistas de Leitura do Texto 38
38 – Olá, mamã:
- Pistas de leitura para um texto de criança? Não são habitualmente esses textos, textos de puro cristal?
- Pistas de leitura para um texto de criança? Não são habitualmente esses textos, textos de puro cristal?
38 - Olá, mamã
Olá, mamã!
Olha, mamã, aquele tio João dos Carritos, o que foi professor, disse que me ia escrever uma carta pelo dia dos meus anos! Eu estive há tempos em casa dele com a avó Maria, a avó nova, e foi lá que ele me prometeu escrever a tal carta. Tenho-me esquecido de te dizer isto, e hoje, quando me trouxeste de manhã para a escola, tornei a esquecer-me. Mas, como o dia dos meus anos já vem perto – são sete anos, não são? – eu não posso adiar mais esta notícia e por isso te escrevo agora, neste intervalo da manhã.
Hoje, na aula, nós já fizemos muitas coisas: já lemos um texto muito bonito, estudámos a tabuada dos nove e fizemos contas. As minhas contas estavam todas certas, e a professora ficou muito contente comigo e eu também. Parece que vou ser muito boa para contas. E também para ler e escrever!
Mas vamos outra vez a essa carta do tio João. Ele disse-me que me mandava a carta através do computador e que a publicava num blog, no próprio dia dos meus anos. Por isso, nesse dia – é dia 28, não é? – nesse dia à tardinha, depois do lanche com os meus amigos e com vocês, havemos de ir vê-la ao nosso computador, porque ela já lá deve estar. Ó mamã, o que é um blog? Tens de me explicar isso bem.
Mas eu já estou a pensar que, lá na carta, vão aparecer coisas que eu ainda não entendo bem. Eu digo isto porque ele, às vezes, diz palavras um bocado difíceis que eu ainda não percebo muito bem. Eu já vi isso, quando lá estive em casa dele. Mas a mamã e o papá vão ajudar-me a entendê-la toda. E até os meus professores me irão ajudar, e também ele, o tio João, que eu já vi que gosta de falar comigo.
Pronto, mamã, a notícia está dada. Agora, ainda vou brincar um pouco com os meus companheiros, no recreio. Temos um jogo novo muito bonito que eu ainda vou jogar.
Um beijinho grande para ti, da Joana.
Olha, mamã, aquele tio João dos Carritos, o que foi professor, disse que me ia escrever uma carta pelo dia dos meus anos! Eu estive há tempos em casa dele com a avó Maria, a avó nova, e foi lá que ele me prometeu escrever a tal carta. Tenho-me esquecido de te dizer isto, e hoje, quando me trouxeste de manhã para a escola, tornei a esquecer-me. Mas, como o dia dos meus anos já vem perto – são sete anos, não são? – eu não posso adiar mais esta notícia e por isso te escrevo agora, neste intervalo da manhã.
Hoje, na aula, nós já fizemos muitas coisas: já lemos um texto muito bonito, estudámos a tabuada dos nove e fizemos contas. As minhas contas estavam todas certas, e a professora ficou muito contente comigo e eu também. Parece que vou ser muito boa para contas. E também para ler e escrever!
Mas vamos outra vez a essa carta do tio João. Ele disse-me que me mandava a carta através do computador e que a publicava num blog, no próprio dia dos meus anos. Por isso, nesse dia – é dia 28, não é? – nesse dia à tardinha, depois do lanche com os meus amigos e com vocês, havemos de ir vê-la ao nosso computador, porque ela já lá deve estar. Ó mamã, o que é um blog? Tens de me explicar isso bem.
Mas eu já estou a pensar que, lá na carta, vão aparecer coisas que eu ainda não entendo bem. Eu digo isto porque ele, às vezes, diz palavras um bocado difíceis que eu ainda não percebo muito bem. Eu já vi isso, quando lá estive em casa dele. Mas a mamã e o papá vão ajudar-me a entendê-la toda. E até os meus professores me irão ajudar, e também ele, o tio João, que eu já vi que gosta de falar comigo.
Pronto, mamã, a notícia está dada. Agora, ainda vou brincar um pouco com os meus companheiros, no recreio. Temos um jogo novo muito bonito que eu ainda vou jogar.
Um beijinho grande para ti, da Joana.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Pistas de Leitura do Texto 37
37 – No Templo de Apolo:
- No pórtico, as três palavrinhas sábias que devem fundar a vida dos indivíduos e da Europa;
- Os políticos da Europa ouvirão hoje o deus?
- A ganância dos mercados, a conversa catadeira das redes sociais e a educação alimentar;
- Autónomos e senhores de nós mesmos;
- Salvará hoje a Europa o espírito europeu que a deu à luz?
- No pórtico, as três palavrinhas sábias que devem fundar a vida dos indivíduos e da Europa;
- Os políticos da Europa ouvirão hoje o deus?
- A ganância dos mercados, a conversa catadeira das redes sociais e a educação alimentar;
- Autónomos e senhores de nós mesmos;
- Salvará hoje a Europa o espírito europeu que a deu à luz?
terça-feira, 18 de outubro de 2011
37 - No Templo de Apolo
No pórtico do antigo templo dedicado a Apolo, na terra dos gregos, estavam inscritas duas ou três palavrinhas sábias – gnothi s´auton - que eles, os gregos, atribuíram a esse deus para este as dizer depois, como palavra divina e portanto fundamental e fundante, a todos os habitantes dessa terra. A velha Europa nasce aí nessas terras, nessa cultura e nesses mitos. Nasce aí o que há de mais sagrado e fundante para a Europa, nasce aí o espírito europeu, o qual alastrou depois para grande parte da Humanidade, sendo ainda dessa substância que a Europa e a Humanidade se podem e devem continuar a alimentar (13.3). Nessa forma ou fórmula fundante, nesse “conhece-te a ti mesmo”, não só está a base de toda a nossa conduta, como também aí se espelha a sublimidade do ser humano, a nobreza da sua natureza, nesta Europa e neste universo em que estamos.
Depois, os cristãos destruíram esse templo por acharem necessário expurgar o local dessa crença pagã, mas hoje, se Apolo de novo nos falar, à Europa e ao mundo, “urbi et orbi”- não mais que só essas mesmas duas palavras e meia porque o deus só fala quanto preciso, mesmo que o tenha de repetir muitas vezes -, e se os velhos ouvidos da Europa não estiverem de todo e miseravelmente moucos, como irá esta reagir? Porque Apolo não fala para os mercados financeiros, não senhor, ele sabe muito bem que, em lugar de ouvidos e olhos e razão, esses monstros só têm barriga e ambição. Ele falará, sim, para os políticos, se o quiserem ouvir, que se candidataram para servir a coisa pública, para tanto escolhidos pelos cidadãos. Ele falará também ao ouvido do cidadão atento, não só para este exigir dos políticos o cumprimento de promessas de bem comum, mas também para que cada pessoa saiba regular a sua vida em todas as suas dimensões: social, familiar e pessoal, sem esquecer a intimidade de cada um.
Por iniludível ganância dos mercados, os bancos andaram até há pouco tempo a aliciar as pessoas ao crédito fácil. Pessoa amiga contou-me a história triste de um cartão de crédito nunca usado para tal, que uma entidade bancária tão empenhadamente lhe oferecera: “Tome, meu amigo, agora já pode ter umas férias de sonho num desses paraísos naturais que ainda os há por aí! Goze agora e pague só depois! E se quiser, também pode ir pensando na moradia de todos os seus sonhos e no carro da sua primeira eleição”! Mas a pessoa não fez caso; aquilo tudo não eram necessidades que tivesse, e por isso libertou-se do cartão, indo entregá-lo ao banco, a umas bocas abertas de espanto. Mas agora, os bancos aferrolham-se a sete chaves, não concedendo crédito a ninguém! Até há pouco, eles criaram vícios; agora não satisfazem as necessidades mais prementes, nem falando já nas que criaram com tais vícios.
Mal abrimos o computador, e sobremaneira quando acedemos à Net, logo somos sitiados pelo vespeiro das redes sociais: “Olha que a Felisberta já aceitou ser tua amiga!” Pois sim, pois sim. “Então tu não aceitas ser amigo dela também?” Pois não, pois não! Porque é que hão-de ser os outros a decidir por nós sobre as nossas paixões – falo de todas elas, naturalmente -, e não os nossos olhos e ouvidos e juízo a escolherem?
Quando compro iogurtes nas catedrais de consumo – dois mil e tal produtos diversos estão lá à minha espera para me consolarem a barriguinha e muito mais -, eu quero iogurtes naturais e não iogurtes contaminados de sabores. Porque é que em algumas marcas dos ditos foram rareando os naturais até de todo desaparecerem, ficando só os com sabores, cada vez mais refinados e impossíveis de tragar? É certo que há sabores naturais que, por exemplo, precisam de uma pitada de açúcar, mas também não é preciso que este seja refinado! Aliás, não se tornam sempre mais caros os produtos, com a sua crescente manipulação? Os sabores que directamente a Natureza nos oferece não são em princípio os mais saudáveis e por isso os melhores? Porque é que não se educam as crianças a comerem por exemplo o delicioso pão integral, mas com todos os ingredientes da farinha como costumava sair do grão, das mós de uma azenha, e agora pode ainda sair das empresas de moagem? Porque é que nos afastamos tanto dessa nossa mãe comum? O desenvolvimento tecnológico é incompatível com a nossa ligação à terra?
Em todos os casos, e na medida do possível, para que é que temos olhos e ouvidos e razão? Não será para nos podermos orientar por nós mesmos? São os outros que nos impõem a sua canga, concedendo créditos para nos afogarmos em dívidas, impingindo companhias para conversas inúteis, como se sem sentidos fôssemos e mentecaptos também? Concedo que às vezes, nessas redes sociais, se acendem luzes, se desatam até aporias de angústias, se podem criar saudáveis amizades, sim senhor, mas isto não é regra mas excepção! As pessoas mergulham nessa conversa catadeira à semelhança do que fazem os macacos em revista à cabeça uns dos outros, e deixam de falar consigo mesmas na intimidade do seu espírito, também não conseguindo, por tagarelarem tanto, saborear o valor da palavra e das palavras, e sobretudo do silêncio.
Temos de ser senhores de nós mesmos, para o que é indispensável auto-conhecer-nos, com nos manda Apolo. Sabermos como somos feitos e como nos sentimos nas diversas situações, para nos podermos orientar a nós mesmos. Somos nós mesmos o nosso primeiro e mais decisivo mestre, também o primeiro médico e padre e dietista e advogado e gestor das nossas contas e moedinhas. Às vezes, precisamos de mestre e médico e padre e outros mais porque, preguiçosamente, não estamos para nos auto-conhecer. Mas para tudo isto, para subirmos a essa nobreza que é a nossa humanidade comum, em autonomia e liberdade tanto quanto possível, precisamos muito de nos conhecer e de saber das nossas aspirações, capacidades e também limitações, estas existindo não só por motivos internos, como também por sermos seres sociais. O deus pagão Apolo assim nos manda! Também fazia muito bem à Europa ouvir de novo essa sábia lição de Apolo, porque a lição não é só para cada um dos europeus, todos eles co-criadores da Europa: aquilo que a fundou será agora aquilo mesmo que a não deixará ir ao fundo. Quem dera!
Depois, os cristãos destruíram esse templo por acharem necessário expurgar o local dessa crença pagã, mas hoje, se Apolo de novo nos falar, à Europa e ao mundo, “urbi et orbi”- não mais que só essas mesmas duas palavras e meia porque o deus só fala quanto preciso, mesmo que o tenha de repetir muitas vezes -, e se os velhos ouvidos da Europa não estiverem de todo e miseravelmente moucos, como irá esta reagir? Porque Apolo não fala para os mercados financeiros, não senhor, ele sabe muito bem que, em lugar de ouvidos e olhos e razão, esses monstros só têm barriga e ambição. Ele falará, sim, para os políticos, se o quiserem ouvir, que se candidataram para servir a coisa pública, para tanto escolhidos pelos cidadãos. Ele falará também ao ouvido do cidadão atento, não só para este exigir dos políticos o cumprimento de promessas de bem comum, mas também para que cada pessoa saiba regular a sua vida em todas as suas dimensões: social, familiar e pessoal, sem esquecer a intimidade de cada um.
Por iniludível ganância dos mercados, os bancos andaram até há pouco tempo a aliciar as pessoas ao crédito fácil. Pessoa amiga contou-me a história triste de um cartão de crédito nunca usado para tal, que uma entidade bancária tão empenhadamente lhe oferecera: “Tome, meu amigo, agora já pode ter umas férias de sonho num desses paraísos naturais que ainda os há por aí! Goze agora e pague só depois! E se quiser, também pode ir pensando na moradia de todos os seus sonhos e no carro da sua primeira eleição”! Mas a pessoa não fez caso; aquilo tudo não eram necessidades que tivesse, e por isso libertou-se do cartão, indo entregá-lo ao banco, a umas bocas abertas de espanto. Mas agora, os bancos aferrolham-se a sete chaves, não concedendo crédito a ninguém! Até há pouco, eles criaram vícios; agora não satisfazem as necessidades mais prementes, nem falando já nas que criaram com tais vícios.
Mal abrimos o computador, e sobremaneira quando acedemos à Net, logo somos sitiados pelo vespeiro das redes sociais: “Olha que a Felisberta já aceitou ser tua amiga!” Pois sim, pois sim. “Então tu não aceitas ser amigo dela também?” Pois não, pois não! Porque é que hão-de ser os outros a decidir por nós sobre as nossas paixões – falo de todas elas, naturalmente -, e não os nossos olhos e ouvidos e juízo a escolherem?
Quando compro iogurtes nas catedrais de consumo – dois mil e tal produtos diversos estão lá à minha espera para me consolarem a barriguinha e muito mais -, eu quero iogurtes naturais e não iogurtes contaminados de sabores. Porque é que em algumas marcas dos ditos foram rareando os naturais até de todo desaparecerem, ficando só os com sabores, cada vez mais refinados e impossíveis de tragar? É certo que há sabores naturais que, por exemplo, precisam de uma pitada de açúcar, mas também não é preciso que este seja refinado! Aliás, não se tornam sempre mais caros os produtos, com a sua crescente manipulação? Os sabores que directamente a Natureza nos oferece não são em princípio os mais saudáveis e por isso os melhores? Porque é que não se educam as crianças a comerem por exemplo o delicioso pão integral, mas com todos os ingredientes da farinha como costumava sair do grão, das mós de uma azenha, e agora pode ainda sair das empresas de moagem? Porque é que nos afastamos tanto dessa nossa mãe comum? O desenvolvimento tecnológico é incompatível com a nossa ligação à terra?
Em todos os casos, e na medida do possível, para que é que temos olhos e ouvidos e razão? Não será para nos podermos orientar por nós mesmos? São os outros que nos impõem a sua canga, concedendo créditos para nos afogarmos em dívidas, impingindo companhias para conversas inúteis, como se sem sentidos fôssemos e mentecaptos também? Concedo que às vezes, nessas redes sociais, se acendem luzes, se desatam até aporias de angústias, se podem criar saudáveis amizades, sim senhor, mas isto não é regra mas excepção! As pessoas mergulham nessa conversa catadeira à semelhança do que fazem os macacos em revista à cabeça uns dos outros, e deixam de falar consigo mesmas na intimidade do seu espírito, também não conseguindo, por tagarelarem tanto, saborear o valor da palavra e das palavras, e sobretudo do silêncio.
Temos de ser senhores de nós mesmos, para o que é indispensável auto-conhecer-nos, com nos manda Apolo. Sabermos como somos feitos e como nos sentimos nas diversas situações, para nos podermos orientar a nós mesmos. Somos nós mesmos o nosso primeiro e mais decisivo mestre, também o primeiro médico e padre e dietista e advogado e gestor das nossas contas e moedinhas. Às vezes, precisamos de mestre e médico e padre e outros mais porque, preguiçosamente, não estamos para nos auto-conhecer. Mas para tudo isto, para subirmos a essa nobreza que é a nossa humanidade comum, em autonomia e liberdade tanto quanto possível, precisamos muito de nos conhecer e de saber das nossas aspirações, capacidades e também limitações, estas existindo não só por motivos internos, como também por sermos seres sociais. O deus pagão Apolo assim nos manda! Também fazia muito bem à Europa ouvir de novo essa sábia lição de Apolo, porque a lição não é só para cada um dos europeus, todos eles co-criadores da Europa: aquilo que a fundou será agora aquilo mesmo que a não deixará ir ao fundo. Quem dera!
domingo, 16 de outubro de 2011
Pistas de Leitura do Texto 36
36 – Homem, Lobo do Homem:
- Muitos galos na capoeira;
- Homem, lobo do homem?
- Uma possível concórdia.
- Muitos galos na capoeira;
- Homem, lobo do homem?
- Uma possível concórdia.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
36 - Homem Lobo do Homem
Neste aprazível espaço, no campo, de manhã muito cedo, ouve-se o galo da vizinha; a seguir um outro mais distante; outro e outros depois e mais além; e todos em concerto bem afinado e sem maestro. Mas depois, lá pelas sete, via rádio, dão em ouvir-se os galos de Espanha, amigos do Rocinante; os galos da Gália, também chamados “galos”; finalmente os galos da Germânia, a quem Camões chamou com muita propriedade e ainda hoje chamaria “gado soberbo”. Quem é o maestro desta multidão de aves, que tão desafinadamente estão cantando?
Já o galo Thomas Hobbes, há muito tempo, lá do seu poleiro num brumoso reino do Norte, cantou que “o homem é lobo do homem”, “homo homini lupus” nessa linguagem enxuta, sem grinaldas, que era de usança nesse tempo. Mas hoje, com muito mais lobos a haver e tão mais perto uns dos outros e com dentes tão afiados e famintos, que dirá e fará o tal homem-lobo de e a todos os outros homens? É que ele não poderá dizer dos outros o que diz do galo da vizinha: “o que ele precisa é de arroz”!
Como se conseguirá a “con-córd-ia” entre todas estas tribos, sobretudo entre aquelas que trazem no fundo do bolso das calças ou da saia a mesma moedinha do euro? Não podemos ser muito exigentes, não senhor, mas será que não conseguiremos, ao nível das emoções que sobem da barriguinha, ou seja, dos interesses particulares, e ao nível dos “-ismos” de todas as ideologias que povoam o espírito dos indivíduos e começando pelos nacionalismos, uma basilar mas urgentemente necessária plataforma de entendimento? E assim nos podermos deliciar com esta vida breve que nos possui, a todos por igual, neste planeta azul? Quem dera!
Já o galo Thomas Hobbes, há muito tempo, lá do seu poleiro num brumoso reino do Norte, cantou que “o homem é lobo do homem”, “homo homini lupus” nessa linguagem enxuta, sem grinaldas, que era de usança nesse tempo. Mas hoje, com muito mais lobos a haver e tão mais perto uns dos outros e com dentes tão afiados e famintos, que dirá e fará o tal homem-lobo de e a todos os outros homens? É que ele não poderá dizer dos outros o que diz do galo da vizinha: “o que ele precisa é de arroz”!
Como se conseguirá a “con-córd-ia” entre todas estas tribos, sobretudo entre aquelas que trazem no fundo do bolso das calças ou da saia a mesma moedinha do euro? Não podemos ser muito exigentes, não senhor, mas será que não conseguiremos, ao nível das emoções que sobem da barriguinha, ou seja, dos interesses particulares, e ao nível dos “-ismos” de todas as ideologias que povoam o espírito dos indivíduos e começando pelos nacionalismos, uma basilar mas urgentemente necessária plataforma de entendimento? E assim nos podermos deliciar com esta vida breve que nos possui, a todos por igual, neste planeta azul? Quem dera!
sábado, 8 de outubro de 2011
Pistas de Leitura do Texto 35
Conversa sem tempo com Luís Miguel Cintra:
- Os assuntos de uma entrevista: o princípio lógico de todo o conteúdo e o seu desenvolvimento em sete pontos:
- Teatralidade ou incarnação emocional de um texto;
- Luís Miguel emocionado ou filósofo?
- À fé religiosa, não será essencial a emoção e o afecto?
- Filosofar leva sempre ao cultivo da fé, ou também pode levar a perdê-la?
- Será Deus, o Deus real, só um produto do nosso pensamento, ou essa questão não se põe porque só precisamos de um mito?
- Descartados do Jesus histórico, e depois considerando Deus e Cristo e a religião como meros produtos do pensamento e da linguagem, não redunda tudo isso em mera subjectividade?
- Podemos continuar a entender-nos com a linguagem, ou ela é só um jogo de espelhos ou casulo que a voltem para dentro, sem que ela aponte para realidades objectivas a si externas?
- O quê, cairmos nós também nos excessos de Wittgenstein sobre a linguagem?
- A divinização humana produz-se a partir de um deus que se faz homem, ou de homem que se faz deus?
- Os assuntos de uma entrevista: o princípio lógico de todo o conteúdo e o seu desenvolvimento em sete pontos:
- Teatralidade ou incarnação emocional de um texto;
- Luís Miguel emocionado ou filósofo?
- À fé religiosa, não será essencial a emoção e o afecto?
- Filosofar leva sempre ao cultivo da fé, ou também pode levar a perdê-la?
- Será Deus, o Deus real, só um produto do nosso pensamento, ou essa questão não se põe porque só precisamos de um mito?
- Descartados do Jesus histórico, e depois considerando Deus e Cristo e a religião como meros produtos do pensamento e da linguagem, não redunda tudo isso em mera subjectividade?
- Podemos continuar a entender-nos com a linguagem, ou ela é só um jogo de espelhos ou casulo que a voltem para dentro, sem que ela aponte para realidades objectivas a si externas?
- O quê, cairmos nós também nos excessos de Wittgenstein sobre a linguagem?
- A divinização humana produz-se a partir de um deus que se faz homem, ou de homem que se faz deus?
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
35 - Conversa sem Tempo com Luís Miguel Cintra
Caro Luís Miguel, tenho seguido, embora de longe, o seu percurso de homem de teatro e de humanidade, sempre só por algumas notícias que me vão chegando pelos jornais, também por ouvir na Antena 2 alguns poemas por si ditos, poemas líricos de Camões, por exemplo, que, tirados dos livros por meus olhos nunca me encantam como quando ouvidos nessa circunstância. No papel, os olhos acham-nos insípidos e frios; na sua locução, os ouvidos sentem o tempero e o calor das emoções, eles fazem-se também poemas do coração.
Até que me chegou há dias uma entrevista, por si concedida a um jornal (P2 de 9-9) por ocasião do lançamento de três discos de leituras suas, a qual me dá muito que pensar e que escrever, começando logo pelo destaque, em garrafais letras todas brancas em página toda preta, do assunto capital aí versado: “A APROXIMAÇÃO À FÉ, DE LUÍS MIGUEL CINTRA”. E porque a entrevista se apresenta um tanto desordenada, presa ainda à circunstância viva de depender directamente de uma conversa solta, tentarei ordenar logicamente os assuntos nela versados, para depois os comentar na medida do possível.
O Luís Miguel diz: “Hoje quero perceber tudo. Quero ser filósofo”. Este é o princípio lógico de tudo, vindo a seguir o seu desenvolvimento, em palavras suas:
1 – “Deus existirá ou não na capacidade de os homens o pensarem e de lhe darem um verdadeiro sentido”. 2 – “Não sabemos se Cristo foi o que disseram. Interessa o que os evangelistas escreveram e é essa história que é portadora de determinados valores (…) a partir dos quais nasce uma ideia de Deus”. 3 – “Os fundadores da religião cristã são os discípulos de Jesus Cristo, e foram esses textos (do Novo Testamento) que inventaram a ideia de Deus”. 4 – “O que me agrada no Cristianismo é a ideia de que Deus se torna homem (…) A forma humana pôde, um dia, conter (a?) divindade. Isso para mim é fundamental porque diz que é do ser humano que parte a sua transcendência. É isso que se chama alma”. 5 – “A Igreja devia promover a apropriação individual de toda a mitologia cristã”. Porque 6 - “Uma coisa são os textos, e outra a sua interpretação, que deve ser individual”: a Igreja não pode considerar burras as pessoas. 7 – “O que a Igreja devia pensar é no que pode existir de comum em todas as pessoas que aderem à religião cristã”, cada uma delas tendo a sua particular interpretação.
Quase ao princípio da entrevista, o Luís Miguel diz que tem sido toda a vida dominado pelos afectos. Isso notou-o às escâncaras, quando um dia se surpreendeu a chorar em Espanha, no dia da Assunção, quando viu, no meio da multidão que se apinhava e aplaudia no templo, a estátua da Virgem subindo à alta cúpula central, ali entendida como o Céu.
Ficou acima dito que eu sinto profundamente um poema de Camões, não quando meus olhos o tiram do livro, mas quando ouço o Luís Miguel a dizê-lo. E agora, na entrevista, ele explica isso muito bem. Com efeito, a teatralidade, ou seja, a incarnação emocional e quente do frio espírito racional de um poema, quando é o caso, ou de uma peça de teatro que jazia morto no papel, para mais apresentado dessa forma viva a uma assembleia presente – a dizer não a um só indivíduo mas a vários ou muitos – é fogo que se pega em feno seco em tarde quente de verão, não é? O nosso mundo das emoções é bem diverso - e também mais profundo e por isso bem mais antigo e envolvente -, comparado com o nosso mundo racional, impassível e frio.
Portanto, ao contrário do que acontece com as emoções, é bem mais difícil o frio e impassível pensamento pegar-se de um a outro de nós, de forma descarnada, sem vir vestido da roupagem quente das emoções. Comparado consigo, Luís Miguel, eu nada sei de teatro, mas parece-me que um homem de teatro deve ser esse que veste emocionalmente o espírito de um texto, para o pegar a outros; reveste-o de corpo, para pegar aos corpos de outros indivíduos, assim podendo chegar ao espírito de cada um. É claro que a seguir, na intimidade do indivíduo e a propósito dessa novidade que lhe chega, dá-se o diálogo entre o corpo e o espírito, ente o coração e a razão, de que nestes toscos textos do blog já se tem falado (26, por exemplo). Diálogo importante e decisivo, sem dúvida, não apresentassem às vezes as emoções e o coração, à razão, aspirações inconvenientes ou impossíveis.
Tendo o Luís Miguel dito acima que tem sido toda a vida dominado pelos afectos, portanto muito afectivo e “leviano”, ele agora quer sair dessa predominância emocional e seguir outro caminho. Agora que está fazendo a sua “aproximação à fé”, ele quer “perceber tudo. Quer ser filósofo”. Mas, meu caro Luís Miguel, não será para a fé, fé religiosa, essencial o afecto? Não será ela, afinal, a voz do coração? No seu pico mais sublime, não será ela um ousado mergulho arracional no Outro? Arracional porque só afectivo? E não tem por outro lado acontecido muitas vezes que, ao contrário do seu caso, quando as pessoas também começam a pensar e a perceber, filosofando sobre as coisas da vida, vêm a perder essa fé religiosa? Falando estou dessa fé religiosa, e não de uma fé outra, a fé intra-mundana, a fé na vida, que esta é para elas essencial!
Versado que está, sucintamente, o princípio lógico de tudo o que foi dito na entrevista, vamos agora, de relance, olhar propriamente para os assuntos que o Luís Miguel foi apresentando. Diz, antes do mais, que a existência de Deus só depende da “capacidade de os homens o pensarem e de lhe darem um verdadeiro sentido”. Diz depois, mais abaixo e em dois sítios, que foram os textos do Novo Testamento “que inventaram a ideia de Deus”. Mas, meu caro Luís Miguel, se o Deus é pura criação do nosso pensar humano e da nossa linguagem, se não é um ente objectivo diferente de nós, não é ele simplesmente um mito? Ou não será mesmo isto e só isto que dele se quer fazer, qual ninho seguro de afectos, sempre só subjectivo, onde se põem e guardam as mais profundas e sempre subjectivas aspirações?
Por outro lado, Luís Miguel diz, no ponto 2, que “não sabemos se Cristo foi o que disseram”, provavelmente confundindo Cristo com Jesus, e que portanto só “interessa o que os evangelistas escreveram e é essa história que é portadora de determinados valores (…) a partir dos quais nasce uma ideia de Deus”. Mas ninguém, digo agora eu, ninguém se pode descartar dessa figura histórica de Jesus! Ela está aí, na história; ela não pode ser anulada. Aliás, para todos os evangelistas, é fundamental essa mesma figura realmente histórica de Jesus, a quem passaram a atribuir todas as propriedades do Messias ou Cristo! Ele é aquele Jesus histórico que conviveu com eles, em quem agora acreditam ser ele mesmo o Messias ou o Cristo. Para os evangelistas e para os outros cristãos, Jesus Cristo é Jesus, por ser uma figura histórica; e é Cristo por ser objecto da sua fé (ver 23.1 e 23.2).
Segundo as concepções do Luís Miguel e já de não pouca gente, Deus, Cristo e religião, tudo isso depende só do pensamento humano e da linguagem, sem quaisquer correspondentes realidades objectivas, cabendo à Igreja simplesmente, como diz nos pontos 6 a 8, promover apropriações individuais dos textos e encontrar um denominador comum das individuais interpretações de todos os que aderem à religião. Tudo é portanto uma questão de subjectividades, qual jardim muito belo e florido mas jardim suspenso, do qual não interessa conhecer nem factos nem raízes históricas porque, segundo dizem, não se podem cabalmente conhecer e até nem existirão. Descartados do Jesus histórico, considerando Deus e Cristo e religião como meros produtos da linguagem … o que é que resta para a nossa querida linguagem, assim fechada em si mesma, assim posta em causa por deixar de poder apontar para factos e realidades, em que ela também assenta e com a qual costumamos relacionar-nos com o mundo? É possível ainda continuarmos a entender-nos uns aos outros com palavras? Não diz o Luís Miguel que o seu sermão de Vieira é basicamente só uma frase, à volta da qual se vão tecendo verbais círculos concêntricos cada vez mais alargados, para assim envolver os ouvintes e os aprisionar e “manipular” com tais “artifícios de pensamento e linguagem”? Envolvê-los, assim fora do tempo e do espaço, nessa teia de palavras ou casulo ou jogo de espelhos? Só lá dentro, então, é que há realidades, as realidades que são somente as palavras, feitas de sons ou de grafemas e de seus respectivos e aéreos significados? Elas não estão presas à pedra das realidades objectivas significadas para que fora delas apontam? Realidades estas que estão fora do tal casulo, ou teia, ou jogo de espelhos que só as palavras jogam ou tecem?
Pensemos agora em coisa mais prosaica, amigo Luís Miguel, pensemos que, cheios de fome como já devemos estar, vamos almoçar juntos ao restaurante. O empregado apressa-se a trazer-nos a ementa, mas vai logo recomendando, com vários pormenores favoráveis, que o prato do dia é um cabritinho assado com batatinhas, tudo assado a preceito num forno antigo de lenha; que ficaríamos muito bem servidos com esse divino prato! Poderíamos nós, então, dar por terminado aí o nosso almoço, nesse enclausurado jogo de favoráveis palavras? Ou não nos estava já a salivar a boca, antecipando o gozo de devorarmos essas deliciosas realidades gastronómicas, situadas bem fora da conversa? Também há aquela história do pastorzinho que iludiu alegremente o povoado gritando “Vem aí lobo, acudam!” e as pessoas acorreram em falso para o ajudar, mas depois, quando de verdade os lobos atacaram e ele de novo gritou, ninguém se viu a correr para ele e para o rebanho a fim de os ajudar! Não conviria então ao rapazinho saber que devia levar a sério o valor das palavras, apontando para objectividades?
Oportuno será também lembrar aqui aquela excessividade de Wittgenstein sobre a linguagem, a qual o levou, segundo o seu mestre Russel, a “agradecer a Deus (quem seria esse deus?) por o ter preservado da banal saúde mental”. Havemos então, também nós, de cair nesses excessos? Havemos de tornar-nos gagos e assim permanecer até aos trinta anos ou mais, por também vivermos numa família onde os actos muito pouco interessavam mesmo que se matassem uns aos outros, e só a linguagem importava, “a maneira de falar ou o facto de falar ou não” sobre os assuntos, como parece ter acontecido com ele?
Ah, mas com aquilo do pós-moderno cabritinho do almoço, tão-somente apetitoso e proveitoso por nossa imaginação, já me vou esquecendo do que disse o Luís Miguel, no ponto 4, sobre a nossa divinização e capacidade de transcendência. Para tal divinização, que levará também à desejada transcendência, haveria duas vias que se apresentam em sentidos opostos: a via do homem que se faz deus, ou a via do deus que se faz homem. Em qual das duas se coloca o Luís Miguel? A primeira é a via da audácia e do empreendedorismo e mesmo do excesso e da arrogância, tudo facilmente contagiável aos outros companheiros humanos; na segunda haveria o caso singular da descida do poder da divindade a um só ser humano, facilmente utilizável para firmar o poder de um imperador terreno e o alargamento e a coesão do seu império. Se isto for assim, em que caso, destes dois, se notará mais exemplarmente a transcendência, possível a todo o ser humano? Já reparou que a concepção da descida do Verbo divino à carne humana só aparece, ali quase intemporalmente colocada, no início do mais tardio dos quatro evangelhos? E que, provavelmente, se teria pensado antes na hipótese de aquele exemplar ser humano, Jesus, ter subido à divindade, assim arrastando outros humanos consigo?
Mas, se estamos enclausurados na linguagem; se esta não nos permite sair para o real que ela aponta; se afinal até o real apontado, ele mesmo se esfuma para só ficar ela e nós lá dentro a olhá-la e a analisá-la porque sim e porque não, então para que vale essa transcendência nossa em direcção a objectividades(?) ou realidades(?) mais sublimes, fora de nós, que não temos nem somos mas queríamos ser ou ter, ou ao menos partilhar, se tudo isso afinal é mera subjectividade e portanto pura ilusão?
Há quanto tempo, Luís Miguel, há quanto tempo aqui estamos conversando, muito mais falando eu por o Luís Miguel já ter falado na entrevista? Há muito? Há pouco? Para mim, foi nenhum! Foi uma conversa sem tempo! Emocionados com a vida, lúcidos e felizes quanto baste - tudo assim junto é que é bom -, seja de uma maneira ou de outra! Para si, Luís Miguel, um terno abraço do João.
Até que me chegou há dias uma entrevista, por si concedida a um jornal (P2 de 9-9) por ocasião do lançamento de três discos de leituras suas, a qual me dá muito que pensar e que escrever, começando logo pelo destaque, em garrafais letras todas brancas em página toda preta, do assunto capital aí versado: “A APROXIMAÇÃO À FÉ, DE LUÍS MIGUEL CINTRA”. E porque a entrevista se apresenta um tanto desordenada, presa ainda à circunstância viva de depender directamente de uma conversa solta, tentarei ordenar logicamente os assuntos nela versados, para depois os comentar na medida do possível.
O Luís Miguel diz: “Hoje quero perceber tudo. Quero ser filósofo”. Este é o princípio lógico de tudo, vindo a seguir o seu desenvolvimento, em palavras suas:
1 – “Deus existirá ou não na capacidade de os homens o pensarem e de lhe darem um verdadeiro sentido”. 2 – “Não sabemos se Cristo foi o que disseram. Interessa o que os evangelistas escreveram e é essa história que é portadora de determinados valores (…) a partir dos quais nasce uma ideia de Deus”. 3 – “Os fundadores da religião cristã são os discípulos de Jesus Cristo, e foram esses textos (do Novo Testamento) que inventaram a ideia de Deus”. 4 – “O que me agrada no Cristianismo é a ideia de que Deus se torna homem (…) A forma humana pôde, um dia, conter (a?) divindade. Isso para mim é fundamental porque diz que é do ser humano que parte a sua transcendência. É isso que se chama alma”. 5 – “A Igreja devia promover a apropriação individual de toda a mitologia cristã”. Porque 6 - “Uma coisa são os textos, e outra a sua interpretação, que deve ser individual”: a Igreja não pode considerar burras as pessoas. 7 – “O que a Igreja devia pensar é no que pode existir de comum em todas as pessoas que aderem à religião cristã”, cada uma delas tendo a sua particular interpretação.
Quase ao princípio da entrevista, o Luís Miguel diz que tem sido toda a vida dominado pelos afectos. Isso notou-o às escâncaras, quando um dia se surpreendeu a chorar em Espanha, no dia da Assunção, quando viu, no meio da multidão que se apinhava e aplaudia no templo, a estátua da Virgem subindo à alta cúpula central, ali entendida como o Céu.
Ficou acima dito que eu sinto profundamente um poema de Camões, não quando meus olhos o tiram do livro, mas quando ouço o Luís Miguel a dizê-lo. E agora, na entrevista, ele explica isso muito bem. Com efeito, a teatralidade, ou seja, a incarnação emocional e quente do frio espírito racional de um poema, quando é o caso, ou de uma peça de teatro que jazia morto no papel, para mais apresentado dessa forma viva a uma assembleia presente – a dizer não a um só indivíduo mas a vários ou muitos – é fogo que se pega em feno seco em tarde quente de verão, não é? O nosso mundo das emoções é bem diverso - e também mais profundo e por isso bem mais antigo e envolvente -, comparado com o nosso mundo racional, impassível e frio.
Portanto, ao contrário do que acontece com as emoções, é bem mais difícil o frio e impassível pensamento pegar-se de um a outro de nós, de forma descarnada, sem vir vestido da roupagem quente das emoções. Comparado consigo, Luís Miguel, eu nada sei de teatro, mas parece-me que um homem de teatro deve ser esse que veste emocionalmente o espírito de um texto, para o pegar a outros; reveste-o de corpo, para pegar aos corpos de outros indivíduos, assim podendo chegar ao espírito de cada um. É claro que a seguir, na intimidade do indivíduo e a propósito dessa novidade que lhe chega, dá-se o diálogo entre o corpo e o espírito, ente o coração e a razão, de que nestes toscos textos do blog já se tem falado (26, por exemplo). Diálogo importante e decisivo, sem dúvida, não apresentassem às vezes as emoções e o coração, à razão, aspirações inconvenientes ou impossíveis.
Tendo o Luís Miguel dito acima que tem sido toda a vida dominado pelos afectos, portanto muito afectivo e “leviano”, ele agora quer sair dessa predominância emocional e seguir outro caminho. Agora que está fazendo a sua “aproximação à fé”, ele quer “perceber tudo. Quer ser filósofo”. Mas, meu caro Luís Miguel, não será para a fé, fé religiosa, essencial o afecto? Não será ela, afinal, a voz do coração? No seu pico mais sublime, não será ela um ousado mergulho arracional no Outro? Arracional porque só afectivo? E não tem por outro lado acontecido muitas vezes que, ao contrário do seu caso, quando as pessoas também começam a pensar e a perceber, filosofando sobre as coisas da vida, vêm a perder essa fé religiosa? Falando estou dessa fé religiosa, e não de uma fé outra, a fé intra-mundana, a fé na vida, que esta é para elas essencial!
Versado que está, sucintamente, o princípio lógico de tudo o que foi dito na entrevista, vamos agora, de relance, olhar propriamente para os assuntos que o Luís Miguel foi apresentando. Diz, antes do mais, que a existência de Deus só depende da “capacidade de os homens o pensarem e de lhe darem um verdadeiro sentido”. Diz depois, mais abaixo e em dois sítios, que foram os textos do Novo Testamento “que inventaram a ideia de Deus”. Mas, meu caro Luís Miguel, se o Deus é pura criação do nosso pensar humano e da nossa linguagem, se não é um ente objectivo diferente de nós, não é ele simplesmente um mito? Ou não será mesmo isto e só isto que dele se quer fazer, qual ninho seguro de afectos, sempre só subjectivo, onde se põem e guardam as mais profundas e sempre subjectivas aspirações?
Por outro lado, Luís Miguel diz, no ponto 2, que “não sabemos se Cristo foi o que disseram”, provavelmente confundindo Cristo com Jesus, e que portanto só “interessa o que os evangelistas escreveram e é essa história que é portadora de determinados valores (…) a partir dos quais nasce uma ideia de Deus”. Mas ninguém, digo agora eu, ninguém se pode descartar dessa figura histórica de Jesus! Ela está aí, na história; ela não pode ser anulada. Aliás, para todos os evangelistas, é fundamental essa mesma figura realmente histórica de Jesus, a quem passaram a atribuir todas as propriedades do Messias ou Cristo! Ele é aquele Jesus histórico que conviveu com eles, em quem agora acreditam ser ele mesmo o Messias ou o Cristo. Para os evangelistas e para os outros cristãos, Jesus Cristo é Jesus, por ser uma figura histórica; e é Cristo por ser objecto da sua fé (ver 23.1 e 23.2).
Segundo as concepções do Luís Miguel e já de não pouca gente, Deus, Cristo e religião, tudo isso depende só do pensamento humano e da linguagem, sem quaisquer correspondentes realidades objectivas, cabendo à Igreja simplesmente, como diz nos pontos 6 a 8, promover apropriações individuais dos textos e encontrar um denominador comum das individuais interpretações de todos os que aderem à religião. Tudo é portanto uma questão de subjectividades, qual jardim muito belo e florido mas jardim suspenso, do qual não interessa conhecer nem factos nem raízes históricas porque, segundo dizem, não se podem cabalmente conhecer e até nem existirão. Descartados do Jesus histórico, considerando Deus e Cristo e religião como meros produtos da linguagem … o que é que resta para a nossa querida linguagem, assim fechada em si mesma, assim posta em causa por deixar de poder apontar para factos e realidades, em que ela também assenta e com a qual costumamos relacionar-nos com o mundo? É possível ainda continuarmos a entender-nos uns aos outros com palavras? Não diz o Luís Miguel que o seu sermão de Vieira é basicamente só uma frase, à volta da qual se vão tecendo verbais círculos concêntricos cada vez mais alargados, para assim envolver os ouvintes e os aprisionar e “manipular” com tais “artifícios de pensamento e linguagem”? Envolvê-los, assim fora do tempo e do espaço, nessa teia de palavras ou casulo ou jogo de espelhos? Só lá dentro, então, é que há realidades, as realidades que são somente as palavras, feitas de sons ou de grafemas e de seus respectivos e aéreos significados? Elas não estão presas à pedra das realidades objectivas significadas para que fora delas apontam? Realidades estas que estão fora do tal casulo, ou teia, ou jogo de espelhos que só as palavras jogam ou tecem?
Pensemos agora em coisa mais prosaica, amigo Luís Miguel, pensemos que, cheios de fome como já devemos estar, vamos almoçar juntos ao restaurante. O empregado apressa-se a trazer-nos a ementa, mas vai logo recomendando, com vários pormenores favoráveis, que o prato do dia é um cabritinho assado com batatinhas, tudo assado a preceito num forno antigo de lenha; que ficaríamos muito bem servidos com esse divino prato! Poderíamos nós, então, dar por terminado aí o nosso almoço, nesse enclausurado jogo de favoráveis palavras? Ou não nos estava já a salivar a boca, antecipando o gozo de devorarmos essas deliciosas realidades gastronómicas, situadas bem fora da conversa? Também há aquela história do pastorzinho que iludiu alegremente o povoado gritando “Vem aí lobo, acudam!” e as pessoas acorreram em falso para o ajudar, mas depois, quando de verdade os lobos atacaram e ele de novo gritou, ninguém se viu a correr para ele e para o rebanho a fim de os ajudar! Não conviria então ao rapazinho saber que devia levar a sério o valor das palavras, apontando para objectividades?
Oportuno será também lembrar aqui aquela excessividade de Wittgenstein sobre a linguagem, a qual o levou, segundo o seu mestre Russel, a “agradecer a Deus (quem seria esse deus?) por o ter preservado da banal saúde mental”. Havemos então, também nós, de cair nesses excessos? Havemos de tornar-nos gagos e assim permanecer até aos trinta anos ou mais, por também vivermos numa família onde os actos muito pouco interessavam mesmo que se matassem uns aos outros, e só a linguagem importava, “a maneira de falar ou o facto de falar ou não” sobre os assuntos, como parece ter acontecido com ele?
Ah, mas com aquilo do pós-moderno cabritinho do almoço, tão-somente apetitoso e proveitoso por nossa imaginação, já me vou esquecendo do que disse o Luís Miguel, no ponto 4, sobre a nossa divinização e capacidade de transcendência. Para tal divinização, que levará também à desejada transcendência, haveria duas vias que se apresentam em sentidos opostos: a via do homem que se faz deus, ou a via do deus que se faz homem. Em qual das duas se coloca o Luís Miguel? A primeira é a via da audácia e do empreendedorismo e mesmo do excesso e da arrogância, tudo facilmente contagiável aos outros companheiros humanos; na segunda haveria o caso singular da descida do poder da divindade a um só ser humano, facilmente utilizável para firmar o poder de um imperador terreno e o alargamento e a coesão do seu império. Se isto for assim, em que caso, destes dois, se notará mais exemplarmente a transcendência, possível a todo o ser humano? Já reparou que a concepção da descida do Verbo divino à carne humana só aparece, ali quase intemporalmente colocada, no início do mais tardio dos quatro evangelhos? E que, provavelmente, se teria pensado antes na hipótese de aquele exemplar ser humano, Jesus, ter subido à divindade, assim arrastando outros humanos consigo?
Mas, se estamos enclausurados na linguagem; se esta não nos permite sair para o real que ela aponta; se afinal até o real apontado, ele mesmo se esfuma para só ficar ela e nós lá dentro a olhá-la e a analisá-la porque sim e porque não, então para que vale essa transcendência nossa em direcção a objectividades(?) ou realidades(?) mais sublimes, fora de nós, que não temos nem somos mas queríamos ser ou ter, ou ao menos partilhar, se tudo isso afinal é mera subjectividade e portanto pura ilusão?
Há quanto tempo, Luís Miguel, há quanto tempo aqui estamos conversando, muito mais falando eu por o Luís Miguel já ter falado na entrevista? Há muito? Há pouco? Para mim, foi nenhum! Foi uma conversa sem tempo! Emocionados com a vida, lúcidos e felizes quanto baste - tudo assim junto é que é bom -, seja de uma maneira ou de outra! Para si, Luís Miguel, um terno abraço do João.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
PISTAS DE LEITURA DO TEXTO 34
34 – Sobre o sagrado:
34.1 – O sagrado divino:
- Há dois tipos de sagrado?
- O sagrado, no seu jogo do “mostra e esconde”;
- O sagrado divino, na aparição de Emaús.
34.2 – O sagrado terreno:
- O sagrado na Natureza;
- O sagrado humano e o poder de uma cicatriz;
- O sagrado na pessoa humana e sobretudo no amor, onde se inclui o sexo;
- O jogo do amor é também o jogo do sagrado;
- A sede de transcendência abre-nos para o amor e o sagrado, para o sagrado amor;
- Quem completa este inacabado texto?
34.1 – O sagrado divino:
- Há dois tipos de sagrado?
- O sagrado, no seu jogo do “mostra e esconde”;
- O sagrado divino, na aparição de Emaús.
34.2 – O sagrado terreno:
- O sagrado na Natureza;
- O sagrado humano e o poder de uma cicatriz;
- O sagrado na pessoa humana e sobretudo no amor, onde se inclui o sexo;
- O jogo do amor é também o jogo do sagrado;
- A sede de transcendência abre-nos para o amor e o sagrado, para o sagrado amor;
- Quem completa este inacabado texto?
Subscrever:
Comentários (Atom)