sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

349 - O Poder do Nada

Ser nada é alguém poder abraçar o mundo
e, nesse abraço, poder também dar a outrem,

sem condição, seu coração

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

348 - Encantamento

O que é que mais nos encanta numa bela melodia:
são os sons que a levantam, ou é o almo silêncio
que até na rede dos sons dela se infiltra?


domingo, 6 de dezembro de 2015

347 - No Rio da Vida, Transcendendo o seu Curso


1 – Olá, amigas e amigos! É por volta dos três ou quatro anitos que as crianças chegam ao conhecimento do sentido da palavra eu, e logo, antes que a consigam utilizar, se aprestam a usar palavras mais fáceis de idêntico sentido, como são as palavras mim e meu. Ora, isto leva-nos a fazer muitas perguntas, e também a tentar responder-lhes.
Que sou eu? Não perguntamos aqui pelo eu social ou jurídico ou até tributário (!), mas pelo eu mental. O que é, então, o eu mental? Respondemos que, o mais provável, é ele ser um molho de desejos e temores e pensamentos e doutrinas, tudo mergulhado e vivenciado no tempo, e tudo ligado pela memória. Mas então, nós somos isso, isso tudo, ou somos só e simplesmente a luz que de fora o olha? Estamos a ver-nos a ser isso, ou, pelo contrário, somos só essa luz que vê? É que há muito quem diga – nomeadamente em livros de auto-ajuda – quem diga que, profundamente, nós não somos esse eu mental mergulhado em vivências temporais, sendo por isso preciso desfazermo-nos dele, para enfim sermos só aquela luz que até chamam eterna.

2 - O que parece mais acertado é que nós somos as duas coisas, isto é, o eu mental e a luz que de fora o olha, ou seja, somos o observado e o observador. São as duas faces da mesma realidade mental: a face vivida ou primária e a face reflexa, a qual até poderíamos designar de espiritual em segundo grau. Durante a vida, não parece poder existir só uma destas faces sem a outra, já que ambas dependem sobretudo do nosso cérebro, portanto do nosso corpo que, como todos experienciamos, é mortal.

3 - Não obstante, é muito saboroso sentarmo-nos na margem do rio da vida, olhando as águas do nosso eu mental passando, mais tumultuosas amiúde do que lisas, sem nos envolvermos sobretudo nesses tumultos. Estar na margem é não só vermos a uma certa distância os problemas para melhor depois os resolver, mas também – e bem mais que isso - é também aí o lugar (sem lugar) de onde vemos que não vamos com as águas, mas simplesmente estamos, simplesmente somos. Somos simplesmente presença.
Isto, porém, só pode acontecer-nos porque saímos temporariamente da corrente. E assim, isto não é desfazermo-nos do eu mental – coisa de todo impossível – mas sim, e sem constrangimentos, desocuparmo-nos dele temporariamente e até transcendê-lo. De facto, quando nos acontece esse estado de presença, que é o estado de quando somos nada, ou vazio, subitamente nos ligamos a tudo e nos surpreendemos repletos de uma indizível paz, de uma intensa alegria de estarmos vivos.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

346 - A Dança de Tchaikovsky

Tal a rosa ou o lírio, de miríades de partículas no vazio
suspensas e unidas pela vibrante e criadora energia,

assim nós dançamos a nossa valsa das flores

domingo, 29 de novembro de 2015

345 - Sentir-se Universo

Gosta de se sentir Universo e até nele se perder:
paixão já de Espinosa e de Einstein, ou é
a vacuidade humana a pedir o Inominado?


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

344 - Para Além de Conceitos e Palavras

Que diferença há entre o Deus e o Vazio,
os dois sendo tudo-em-tudo-e-mais-além?
Não são duas tradições a dizerem o mesmo?


Nota: R. PanniKar (1918-2010), jesuíta catalão, fez-se budista sem deixar de ser cristão. Quase no final da sua vida, depois de regressar da Índia, ele escreveu: “Eu deixei a Europa como cristão, descobri lá que era indu e regressei como budista, sem jamais ter cessado de ser cristão”.