Ladino e artista é o vento:
não sendo nada senão
o nosso ar em movimento,
pelas gargantas dos montes
e das cavernas do chão
desde o princípio do mundo
vem tocando o instrumento
sua antiquíssima flauta
Só muito tempo depois
se vão levantando os deuses
sonolentos a tocarem
as suas flautas de vento:
Hermes inventor e Apolo,
até Atena tocando
- mas não muito, não deforme
a fina boca e o semblante -
e ainda o hirsuto Pã
trazendo pânico aos homens
por se esconder entre canas
por seduzir pela arte
Mas já antes destes deuses
e sobretudo com eles
- cúmplices e criaturas
serão eles, dos humanos –
estes notam e incrementam
essa antiga arte do vento:
Seu cantar no nosso rosto
na fronde dos aloendros
indomáveis assobios
no cordame dos navios
mas também a sublime arte
de Mozart em uma flauta
tendo em fundo o pizzicato
das cordas em um quarteto,
adagio que tem início
ao cessar destas palavras
neste agora sem tempo
…
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