segunda-feira, 19 de agosto de 2013

175 - Entre o Sinai e o Olimpo

Hábeis somos e também livres para fazer o mal
a merecer castigo, até castigo eterno,
mas não somos capazes de fazer o bem
nem merecer a recompensa, sobretudo eterna.
Quem estas, pela graça, nos poderá merecer
é o Cristo, no qual portanto
- sempre pela graça, pois de bem nada podemos fazer –
teremos de confiar.
É como se só tivéssemos uma perna e um braço e um olho,
sempre tudo só do lado esquerdo,
e a natureza não conhecesse o que é a simetria,
o equilíbrio, alguma perfeição no que faz.
A menos que, sabendo ela muito bem e assim tivesse feito,
tivéssemos sido nós a amputar-nos, por um pecado de origem,
ainda se podendo agora ver as cicatrizes do lado direito,
se tirarmos os gratuitos suplementos que a graça nos concede.

A graça só poderá elevar aquilo que antes
se fez descer muito fundo:
perdidos e no fundo ficaram o homem e o mundo,
depois que aquele se afundou no pecado
no meio de um jardim de flores e de frutos,
e depois que o tonitruante Deus ordenou no deserto
lá do alto do Sinai, árido monte


Tão longe do acolhedor e luminoso Olimpo

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