domingo, 29 de novembro de 2015

345 - Sentir-se Universo

Gosta de se sentir Universo e até nele se perder:
paixão já de Espinosa e de Einstein, ou é
a vacuidade humana a pedir o Inominado?


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

344 - Para Além de Conceitos e Palavras

Que diferença há entre o Deus e o Vazio,
os dois sendo tudo-em-tudo-e-mais-além?
Não são duas tradições a dizerem o mesmo?


Nota: R. PanniKar (1918-2010), jesuíta catalão, fez-se budista sem deixar de ser cristão. Quase no final da sua vida, depois de regressar da Índia, ele escreveu: “Eu deixei a Europa como cristão, descobri lá que era indu e regressei como budista, sem jamais ter cessado de ser cristão”.

domingo, 22 de novembro de 2015

343 - Concerto de Opiniões

Opiniões, cada um tem as suas,
e é por isso que eu sou eu e tu és tu:

o concerto entre os dois é que é comum

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

342 - Sabedoria Popular

É certo que a Terra anda à volta do Sol,
mas, tal como ainda se diz que o sol se levanta e põe,

assim também se cumpre toda a tradição do divino

domingo, 15 de novembro de 2015

341 - A Névoa do Hábito

Pela névoa do hábito nos olhos, nós olhamos e não vemos:
não vemos como da primeira vez, e também na última

quando de todo coisas e pessoas nos desaparecem

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

340 - A Não Nascida Presença

Não há o “ser” nem o “não-ser”, mas sim
as formas e o vazio, que as é e mais ainda:

o vazio é a presença não nascida, o silêncio

domingo, 8 de novembro de 2015

339 - O Homem, esse muito Estranho Ser

1 - Desde a antiga civilização romana, pelo menos, que muitos homens têm o hábito de pôr um letreiro no muro da frente de sua casa, a dizer: “Cuidado com o cão”. Esta cautela, é evidente, é pedida aos homens que passam pela rua, mas estes terão de ter mais cuidado com o dono de cada um desses animais caninos – embora até lhe chamem o seu próximo – do que com o cão propriamente dito. Pois nunca se viu um cão a ser tão predador como pode ser o seu dono.
Sem falarmos agora da diária e sangrenta predação que os homens do globo praticam entre si, sabemos por exemplo que nós, os humanos, “capturamos peixes na idade adulta a uma taxa 14 vezes maior do que os próprios predadores marinhos, e em terra matamos carnívoros do topo da cadeia alimentar natural a uma taxa 9 vezes superior” (Net, 27/8/15).

2 – Estranha é também, para Einstein “a nossa situação aqui na Terra. Cada um de nós vem para uma curta visita, sem saber porquê, muito embora por vezes pareçamos adivinhar um objectivo. Mas, do ponto de vista do quotidiano, há uma coisa que sabemos: que o homem está aqui pelos outros homens – acima de tudo por aqueles de cujos sorrisos e bem-estar depende a nossa felicidade”. Einstein citado por Richard Dawkins, em A Desilusão de Deus, p.255.

3 – É o homem um ser estranho, sim, mas também por outras razões. Pois será pela veemência com que cria, defende e vive do seu eu mental que Krishnamurti diz que “a vida do homem é uma coisa estranha”. Duas vezes pelo menos o diz ele num livrinho de Cartas a uma Jovem Amiga. Di-lo quase no final de duas cartinhas seguidas, mas logo acrescentando nos dois lugares a frase lapidar com que remata os textos e desvenda aquela estranheza:”Feliz o homem que é nada”. Frase que também serve de subtítulo à obrinha deste mestre.

            “Feliz do homem que é nada”, isto é, que, anulando, ou melhor, transcendendo a nascida coisa que é o seu eu mental, está para além dela. Em vez de “ser” ou “não ser”, o homem é nenhuma nascida coisa “nulla res nata”, e por isso é nada (veja aqui o texto anterior).

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

338 - O Nada e as Nascidas Coisas

Há o Silêncio ou o Vazio ou o Nada (Não Nascido)
e as daí nascidas coisas ou formas ou aparências:
Eles são as coisas, mas são para além delas


Nota: A palavra “Nada” procede de “nulla res nata (nenhuma coisa nascida). É o “(Nada) transcendente e comum a Deus, ao homem e ao mundo, o Nada por excelência e não por privação”. O Nada está para além do próprio Deus, pois que Deus não é por nós verbalizável nem mentalmente concebível. Veja Paulo Borges em O Buda e o Budismo, pp. 122-123) e ainda José Arregi em Deus Ainda Tem Futuro?, pp. 205-230.

domingo, 1 de novembro de 2015

337 - Intimidades

Vamos perdendo nossos queridos amigos
até que, quem sabe, um só poderá ficar:

íntimos amigos de nós mesmos